São Paulo - A equipe de pesquisa do Banco Pine, chefiada pelo economista Marco Maciel, revisou a projeção para o IPCA em 2015 de 7% para 7,6%. "Apesar da alta de janeiro ter vindo em linha com a nossa última projeção, nós revisamos a estimativa de IPCA para 2015", diz a nota do banco.
A mudança se deve a três principais fatores. O primeiro é o "anúncio sobre o (possível) reajuste das bandeiras tarifárias, de R$ 3,00 para R$ 5,50 para cada 100 kWh no caso da bandeira vermelha (vigente)". O segundo é o "repasse aos consumidores dos R$ 21,8 bilhões previstos no orçamento da CDE, que, assim, não serão cobertos por aportes do Tesouro". O terceiro motivo é a decisão do economista Marco Maciel em já "considerar algum efeito da estiagem na região Sudeste nos preços de alimentos".
Em relatório macroeconômico, Maciel e sua equipe escrevem que, "seguindo o ‘realismo tarifário’ que deverá pautar o ano", decidiram revisar de 30% para 40% o reajuste de energia elétrica residencial e, com isso, de 8,5% para 10,0% a elevação esperada para os preços administrados.
A outra alteração no cenário de inflação, destacada no relatório do Pine, trata dos bens não duráveis. "Em 2015, deveremos ver mais uma vez a queda de braço entre os efeitos dos problemas de abastecimento de água nos preços dos alimentos versus as boas perspectivas (em termos de menos inflação) das principais commodities agrícolas. Tudo considerado, revisamos a alta estimada do núcleo de 7,0% para 8,0%", escrevem os economistas.
Para a inflação de serviços, os economistas do Pine esperam alguma desaceleração no núcleo desses preços. Esse comportamento responderá, basicamente, ao enfraquecimento da atividade econômica e do mercado de trabalho.
No caso dos bens duráveis, Maciel e sua equipe esperam uma pressão inflacionária vinda da desvalorização do real e da recomposição de alíquotas de impostos. "Diferentemente, os preços dos bens semiduráveis têm apresentado variações próximas das mínimas históricas mensais desde o ano passado, fato que deve se repetir esse ano e também na esteira da desaceleração do consumo das famílias", escrevem os economistas.

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