Rodrigo Azevedo, economista-chefe do CSFB em São Paulo, está levando a sério o teto de 5,5% para a inflação este ano. ‘‘É um limite relevante’’, ele diz. Em uma linha semelhante, Fábio Akira, do Banco BBV, diz que ‘‘a nossa leitura é de que certamente há um constrangimento em romper a meta’’.
Em outras palavras, os dois economistas acham que o BC vai se preocupar, sim, em evitar que o IPCA ultrapasse os 5,5% em 2002. Ainda assim, Azevedo não acha impossível que o BC volte a promover cortes de 0,25 ponto porcentual na Selic, nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). A razão é simples: o BC está projetando um IPCA mais baixo do que o mercado.
Nos seus últimos documentos públicos, o BC explicitou que, computados os efeitos dos ‘choques de oferta’, estava mirando uma inflação de 4% a 4,5% em 2002. Com a nova alta do petróleo, a mira pode ter subido cerca de 0,4 ponto porcentual, para algo entre 4,4% e 4,9%, ainda assim a uma distância razoável dos 5,5%.
A principal razão para a discrepância entre o BC e o mercado é o câmbio: o primeiro pressupõe uma taxa estável, em torno de R$ 2,35, até o final do ano. O mercado prevê que o dólar suba até R$ 2,50 no final do ano, pressionando um pouco mais a inflação.

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