Paulo WolfgangPequenos empréstimosBelinati fala durante o lançamento da Casa do Empreendedor, que abre canais de crédito de pequenos valoresA partir de outubro, os pequenos empresários de Londrina que necessitem de recursos entre R$ 200 a R$ 5 mil para alavancar seus negócios devem poder entrar com os pedidos de empréstimo na Casa do Empreendedor, a primeira organização não governamental (ONG) do Paraná voltada para o crédito popular. Criada ontem, a Casa é uma instituição comunitária de crédito, que teve aporte de R$ 1 milhão da prefeitura do município (referente aos dividendos da Sercomtel).
Para conseguir a liberação do empréstimo, o pequeno empresário não precisará apresentar garantias reais. ‘‘Ele pode usar aval pessoal de algum amigo ou aval solidário, que é o de um grupo de pessoas’’, diz Beatriz Azeredo, superintendente de desenvolvimento regional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo ela, o banco participa de projeto semelhante em Porto Alegre, com a Porto Sol. ‘‘A inadimplência naquela ONG não chega a 3%’’.
O BNDES deve aportar R$ 1 milhão na Casa do Empreendedor de Londrina. O diretor de desenvolvimento regional do BNDES, Paulo Hartung, diz que a liberação da verba depende de um pedido formal do Conselho da instituição e da aprovação do banco. A solicitação deve ser encaminhada ao BNDES no próximo mês. O Conselho será formado por sete representantes de entidades como Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Sociedade Rural do Paraná e Sindicato dos Contabilistas de Londrina.
Nenhum dos dois aportes (o da prefeitura e o do BNDES) são a fundo perdido. A Casa do Empreendedor terá prazo de oito anos para devolver o dinheiro do BNDES e de cinco anos (com prorrogação de outros cinco anos) para pagar a prefeitura de Londrina. Os juros do BNDES vão variar conforme a TJLP (hoje de 10,15% ao ano). Os juros que serão usados na pagamento do empréstimo da prefeitura vão ser definidos pelo Conselho, que também determinará as taxas pagas pelos empresários.
‘‘Estes juros não serão inferiores aos praticados pelo mercado porque a entidade não tem caráter filantrópico’’, adianta Rubens Pavan, presidente da Sercomtel. Os prazos de pagamento dos financiamentos aos empresários ainda não foi definido. ‘‘O ideal é que, no início, os prazos sejam pequenos de três meses, por exemplo, com valor de empréstimo baixo. É que os empresários vão ter que estabelecer uma relação de confiança com os agentes de crédito, que vão atuar na Casa’’, diz Paulo Hartung.
A 2ª Oficina de Formação de Agentes de Crédito Popular, promovida pelo BNDES e Ministério do Trabalho, terminou ontem. Foram treinados 21 agentes para Londrina, Curitiba e Blumenau. Destes, dez vão trabalhar na Casa do Empreendedor de Londrina. O prefeito Antonio Belinati disse que espera que a instituição ajude os pequenos empresários de Londrina a gerar mais empregos.

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