Banco do Povo de Maringá não tem inadimplência
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terça-feira, 06 de novembro de 2001
Lucinéia Parra<bR>De Maringá 
Criado em 22 de junho deste ano para fomentar a economia local através de subsídios aos pequenos comerciantes, o Banco do Povo de Maringá não tem inadimplência e se prepara para atender a região a partir de janeiro do ano que vem com recursos federais. Além do juro baixo, a gerência do Banco do Povo aposta no rigor dos critérios de avaliação antes da liberação dos recursos para o bom andamento dos contratos de créditos.
De acordo com o gerente Alexandre Boniolo, desde a sua criação, o Banco do Povo de Maringá já firmou 82 contratos de créditos e nenhum deles está com o pagamento das parcelas em atraso. Segundo ele, o juro de 3,98% sobre o saldo devedor contribui para o pagamento em dia. Entretanto, ele afirma que não abre mão de uma rigorosa avaliação sobre o potencial da pessoa que solicita o crédito.
A avaliação é feita por um funcionário do banco que é especialmente deslocado para a casa ou estabelecimento comercial da pessoa que solicita o crédito. Uma vez no estabelecimento do solitante, o funcionário do banco faz um levantamento sobre a receita e as despesas dos últimos meses. Além disso, o mesmo funcionário realiza uma espécie de investigação na vizinhança ouvindo desde o dono da padaria mais próxima ao gerente do supermercado, sobre o caráter do solicitante. ''É uma investigação mais cara porque tenho que deslocar um funcionário para um serviço que dura às vezes um dia inteiro, mas é muito segura e me permite conhecer o perfil da pessoa que está solicitanto crédito'', explica Boniolo.
Outra forma de evitar inadimplência, conforme Boniolo, é oferecer empréstimos de valores menores com prazo menor de pagamento. ''Se corre tudo bem com o cliente, daí ousamos mais com ele e num segundo empréstimo, o valor pode ser até maior'', justifica. Atualmente, o Banco do Povo realiza empréstimos no valor máximo de R$ 5 mil, e somente para os moradores de Maringá. A partir de janeiro, o Banco do Povo estará contando com recursos federais e então, segundo Boniolo, a agência de Maringá vai poder firmar contratos de crédito com moradores da região, no valor máximo de R$ 10 mil para cada solicitante.
O ex-caminhoneiro José Roberto de Lima, 50, conseguiu recursos do Banco do Povo pela segunda vez. Lima fabrica pipas há cerca de dez anos quando teve que abandonar a atividade de caminhoneiro por causa de problemas no coração. Há pouco mais de três meses, ele recorreu ao Banco do Povo para conseguir um capital de giro. O empréstimo foi pago em dia e recentemente Lima fez novo contrato com o Banco do Povo. Ele explica que aplica o dinheiro financiado na compra de uma maior quantidade de material para poder lucrar mais na venda das pipas. ''Com o juro baixo do Banco do Povo compensa fazer este tipo de negócio'', diz.


