Banco do Mappin e Mesbla é liquidado
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terça-feira, 23 de março de 1999
Agência Folha 
As dificuldades enfrentadas pelas lojas Mesbla e Mappin causaram ontem a liquidação do braço financeiro do grupo do empresário Ricardo Mansur, o Crefisul. Segundo o diretor de Fiscalização do Banco Central, Luiz Carlos Alvarez, as notícias sobre problemas nas redes varejistas desencadearam, a partir de janeiro, uma onda de saques de recursos depositados no banco, que tinha basicamente grandes clientes.
São investidores mais ariscos, que são muito rápidos no gatilho, disse o diretor do Banco Central. O Crefisul tinha 13 agências e apenas R$ 6 milhões em depósitos à vista.
O BC decretou intervenção porque ontem o banco ficou devedor em R$ 10 milhões na conta de reservas bancárias, uma espécie de conta corrente que os bancos são obrigados a manter no BC.
Havia também grave comprometimento patrimonial - o que significa que, aparentemente, os créditos que o Crefisul tem a receber não cobrem seus compromissos, como depósitos de clientes e dívidas com o BC. Procurado pela reportagem, Ricardo Mansur não se pronunciou. Ele divulgou comunicado dizendo ter sido surpreendido pela decisão.
Alvarez disse que ainda é cedo para afirmar que o Crefisul dará prejuízos ao governo. Mas, de antemão, sabe-se que o BC é um dos principais credores do banco.
O balancete de janeiro indica uma dívida de R$ 120 milhões com o BC. Desse total, cerca de R$ 20 milhões são originários de empréstimos de socorro que a instituição vinha concedendo ao Crefisul. Outros R$ 90 milhões se referem a empréstimo do Proer (programa de socorro aos bancos) concedido em 1996 na incorporação do banco Antônio de Queiroz pelo Crefisul, então denominado Banco United.
Ao entrar no vermelho ontem, o Crefisul voltou a pedir empréstimo de socorro ao BC, que o negou por considerar insuficientes as garantias apresentadas. Com a liquidação, um interventor nomeado pelo BC vai começar um trabalho de venda e cobrança de créditos e bens para cobrir os compromissos do Crefisul. Análise preliminar, entretanto, já apontou alto índice de inadimplência. Há riscos potenciais de perdas nos ativos, disse Alvarez.
O diretor do BC informou que a liquidação do Crefisul não implicará nenhuma restrição à operação da Mesbla e do Mappin, embora tenha sido decretada a indisponibilidade de bens de Mansur, controlador das três empresas.
A quebra do Banco Crefisul coloca sob risco o dinheiro investido por cerca de 20 mil associados do Consórcio M, o antigo Consórcio Mesbla, que também foi liquidado ontem. Boa parte dos recursos do consórcio estava no Crefisul.
Com a liquidação, o consórcio deverá se habilitar como qualquer outro credor e entrar na fila para receber de volta seus depósitos. O seguro-depósito cobre apenas os depósitos à vista e a prazo, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), até R$ 20 mil.
Teoricamente, como um depositante comum, o Consórcio M teria direito a receber de volta apenas R$ 20 mil. Para reaver o resto, depende da venda e cobrança de bens e créditos do Crefisul. Alvarez disse que o dono do Crefisul manifestou interesse em discutir formas de cobrir perdas dos clientes.


