O Banco do Japão (BOJ) anunciou ontem que vai retomar a política de taxa de juros zero, abandonada em agosto do ano passado, para estimular o crescimento da economia e diminuir as dívidas dos bancos japoneses. Com esse anúncio, o instituto monetário japonês deixa claro querer a volta da inflação. O BOJ está disposto a aumentar o montante de excedente de liquidez que deixa todos os dias o mercado monetário, entre 4 e 5 bilhões de ienes, anunciou ao término da reunião regular de seu comitê de política monetária.
‘‘Em consequência, está antecipado que a taxa diária vai baixar bastante em relação a seu nível atual de 0,15%, e permanecerá próxima de zero’’, anunciou o banco. O BOJ afirmou em um parágrafo que ‘‘os novos procedimentos para as operações no mercado financeiro serão mantidas até que o índice dos preços ao consumo se mantenha de forma estável no 0% ou aumente progressivamente de forma anual’’.
A declaração deixa evidente que o banco está pregando a deflação, algo completamente inesperado em termos de política econômica global no atual momento. O Banco Central Europeu, por exemplo, tem um controle da inflação muito severo, com variação de 2% no máximo e sua política se baseia nesse nível até limites obsessivos.O Banco do Japão, sem dúvida, não esclarece como conseguirá criar inflação.
O banco está disposto a ‘‘incrementar suas compras governamentais a longo prazo além do nível atual de 400 bilhões de ienes por mês, caso julgue necessário para dar mais liquidez ao mercado.
‘‘A decisão demonstra que o objetivo da política do Banco do Japão é uma flexibilização quantitativa, em particular em relação à questão da inflação’’, avaliou Susumu Takahashi, economista-chefe do Japan Research Institute.
Para ele, como para muitos outros analistas, isto significa que o banco capitulou literalmente frente às pressões do governo e dos empresários, ao aceitar que deve ir mais longe que um simples retorno à política da taxa de juros zero e se lançar na aventura de aplicar medidas não experimentadas antes.

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