Brasília - O Banco do Brasil destinará R$ 39,5 bilhões para operações de crédito rural na safra 2009/10, volume 30% superior ao da safra anterior. Desse total R$ 9,4 bilhões vão financiar a agricultura familiar e R$ 30,1 bilhões atenderão aos demais produtores e cooperativas. Do total emprestado em 2008/09, foram destinados R$ 7,5 bilhões para agricultura familiar e R$ 23 bilhões para os demais produtores, somando R$ 30,5 bilhões. Esses recursos corresponderam a um aumento de 30% sobre o ciclo anterior.
O Banco do Brasil oferecerá uma proteção de preço referenciada em bolsa para as culturas de soja e de milho. A possibilidade de o agricultor travar o preço desses produtos por meio da negociação na BM&FBovespa foi divulgada pelo diretor de agronegócios da instituição, José Carlos Vaz. ''Esta é a grande novidade dessa safra'', afirmou.
Segundo ele, milho e soja foram os produtos escolhidos porque representam aproximadamente 85% da safra total de grãos. ''São produtos com mais liquidez nas bolsas de futuros'', avaliou. Quando o agricultor pedir financiamento para custeio da safra no Banco do Brasil, ele poderá contratar a opção de venda financeira, que, segundo o diretor, possibilitará ao produtor um valor complementar ao de mercado. O que o tomador poderá obter é a diferença entre o preço futuro que ele quer proteger e o preço praticado no momento do vencimento do contrato.
Segundo Vaz, o banco reservou para essa operação de hedge aproximadamente R$ 1,5 bilhão. ''Mas esse valor não é o teto; é uma estimativa. Se aparecer interesse maior pela operação, vamos disponibilizar mais recursos'', informou.
O custo para o produtor que quiser utilizar o instrumento vai variar de 2% a 3,5% do valor garantido. De acordo com o diretor do Banco, o produtor poderá optar pela operação diretamente com a instituição e não pela Bolsa porque, dessa forma, o custo para ele será menor.
O vice-presidente de Agronegócios da instituição, Luís Carlos Guedes Pinto, salientou que a operação também foi simplificada no BB para atender ao produtor que não é familiarizado com a operação financeira. ''É muito mais simples'', garantiu. Ele lembrou que o foco do banco é o produtor de médio porte, aquele que tem renda bruta anual de até R$ 500 mil. Guedes salientou, porém, que não há limites para contratação por parte do interessado.
A partir de agosto, segundo Guedes, o BB promoverá, em conjunto com a bolsa, encontros nos principais polos agropecuários para divulgar a iniciativa. Devem receber visitas as cidades de Maringá, Londrina, Goiânia e Rondonópolis, entre outras. ''É um início, mas esperamos um crescimento muito rápido das operações, como foi com o seguro rural'', previu Vaz.

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