Lucas do Rio Verde, MT – Diante da maior restrição na oferta de crédito por financeiras privadas e públicas, os bancos de montadoras devem ganhar espaço entre os produtores rurais que desejam renovar o maquinário. A participação do Banco CNH Industrial, que representa a New Holland, a Case e a Iveco, foi de 43% em 2014 para 55% em 2015 no valor total de vendas em cada ano. Para 2016, a empresa trabalha com a expectativa de bater ao menos em 60%, na esteira do bom momento do agronegócio no País.
O banco da marca subiu uma posição e ocupou o 4º lugar no ranking geral de instituições financeiras do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no segmento agrícola, ao passar de R$ 1,028 bilhão liberado em 2014 para R$ 1,145 bilhão liberado no ano passado. Esse ganho de mercado deve permitir que fábricas e concessionárias da New Holland atinjam ao menos o mesmo resultado de vendas de 2015.
O diretor comercial da CNH Industrial Capital, Jucivaldo Feitosa, afirma que há necessidade de maior eficiência na colheita por meio da renovação de frota em todo o País e que somente as incertezas políticas freiam o setor. "Não é que aumentamos nosso apetite de risco com essa participação maior, mas que mais oportunidades e propostas de compra chegarão ao nosso banco com a diminuição em outros players", diz.
Feitosa não crê em alta da inadimplência de produtores rurais. "É um setor com vida própria, mas são pessoas que convivem com um ambiente de incertezas e que sentem necessidade de não se arriscar tanto", cita, ao falar sobre os produtores.
Parte do receio, conta, deve-se às maiores taxas de juros cobradas em financiamentos de máquinas e equipamentos por meio de programas como o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota). Até meados de 2015, a taxa era de 4,5% ao ano para produtores com receita de até R$ 90 milhões ao ano, mas está em 7,5% pelo menos até o meio deste ano. "Parece caro, mas é um contexto macroeconômico diferente porque os 4,5% valiam quando a inflação era mais baixa e a Selic estava em 7,5%, mas hoje temos Selic de 14,25% e inflação de dois dígitos", diz o diretor do banco.

Corrida até junho
Os juros do Moderfrota valem até o meio deste ano. Feitosa acredita que é possível que os recursos disponibilizados pelo BNDES acabem até maio, devido a uma possível corrida de produtores em busca de maquinário com os juros atuais, nos mesmos moldes do período que antecedeu a recomposição das taxas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis. "Existe uma certa incerteza porque o governo federal divulgará os juros durante o Plano Safra, mas acreditamos que não teremos alta grande de juros para não atrapalhar o único setor que tem resultados positivos sempre", afirma.
Diretor comercial da New Holland no Brasil, Alexandre Blasi cita que houve uma acomodação no mercado de máquinas agrícolas depois de um "2013 fora da curva", o que faz com que a empresa espere por um bom resultado neste ano. A previsão dele é que os juros do Moderfrota continuem no mesmo patamar para que os dois semestres do ano sejam de vendas boas. "Acreditamos que teremos um 2016 parecido com 2015, com leve redução no volume do atacado, por termos um ajuste de estoques em concessionárias, mas com um volume de vendas no varejo igual", considera.

O repórter viajou a convite da New Holland

Imagem ilustrativa da imagem Banco de montadora oferta mais crédito para manter vendas
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