É a primeira redução desde janeiro do ano passado. O Copom decidiu fixar a taxa básica em 18,75% ao ano. Embora ínfima, redução de 0,25% sugere estabilidade da economia
Brasília - O Banco Central cortou ontem os juros básicos da economia pela primeira vez desde janeiro do ano passado. O Copom (Comitê de Política Monetária do BC) decidiu reduzir a taxa de 19% para 18,75% ao ano.
No ano passado, os juros chegaram a cair para 15,25% em janeiro. A partir de março, quando passou para 15,75%, iniciou uma trajetória de alta. Em junho estava em 18,25% ao ano. No mês seguinte, julho, subiu para 19%, permanecendo inalterada por cerca de sete meses.
Estudos do Banco Central indicam que a queda e/ou elevação dos juros tem efeito sobre a economia entre seis a nove meses depois de adotada.
A decisão do BC surpreendeu. Analistas de mercado diziam haver espaço para um corte na taxa, mas concordavam que o BC provavelmente manteria seu conservadorismo e não mexeria nos juros, com receio de que isso pudesse prejudicar o cumprimento das metas de inflação.
Para explicar a decisão tomada ontem, o BC divulgou uma nota afirmando que a ‘‘decisão é compatível com a convergência da taxa de inflação para suas metas’’.
O comportamento da inflação é a principal variável considerada pelo BC ao fixar a taxa de juros. Em tese, juros mais elevados provocam desaquecimento da economia. Nessa situação, a renda da população tende a diminuir, reduzindo o espaço para que as empresas aumentem seus preços.
O corte dos juros pode ser interpretado de duas maneiras distintas. Uma possibilidade seria o BC ter considerado que a inflação está sob controle e que já era possível reduzir a taxa.
Segundo projeções feitas pelo Copom no mês passado, a inflação deste ano deve ficar entre 3,5% e 4%. A meta é de 3,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Outra interpretação pode ser a de que o BC preferiu reduzir os juros para incentivar o crescimento da economia, mesmo que isso signifique permitir que a inflação fique ligeiramente acima da meta, mas dentro da margem de tolerância de dois pontos percentuais.

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