Banco Central surpreende e aumenta Selic
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quarta-feira, 20 de abril de 2005
Ana Paula Ribeiro<br>Folhapress 
Brasília - Com uma inflação acumulada em 12 meses acima do objetivo para o ano e as expectativas por parte do mercado em alta, o Banco Central decidiu prosseguir com o aperto na política monetária. Surpreendendo a maior parte dos analistas de mercado, o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) elevou em 0,25 ponto porcentual a taxa básica de juros, a Selic, para 19,5% ao ano.
É a oitava elevação consecutiva - a maior sequência de altas na história das reuniões do comitê. Acima deste patamar, só a taxa anunciada na reunião de setembro de 2003, quando os juros foram fixados em 20%. ''Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa de juros básica iniciado na reunião de setembro de 2004, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 19,5% ao ano, sem viés'', diz a nota divulgada pelo comitê.
Quando os juros sobem, o crédito para pessoas e empresas fica mais caro. Com isso, a tendência é que o consumo caia. Com consumo menor, a autoridade monetária consegue assegurar a estabilidade da moeda. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no acumulado de 12 meses até março está em 7,54%. Bem acima do objetivo do BC para o ano, que é uma inflação de 5,1%.
O IPCA é o indicador usado pelo governo para as metas de inflação, que neste ano é de 4,5%, com uma margem de tolerância de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo. Isso significa que a inflação no período de 12 meses está acima inclusive do teto das metas de inflação, que é de 7%. Embora a meta seja de 4,5%, o BC anunciou em setembro do ano passado que irá perseguir uma inflação de 5,1%.
De acordo com o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo BC, o mercado elevou a projeção de IPCA para 6,10%. Era de 5,77% antes da reunião do Copom de março. O fim do processo de alta dos juros, quando acontecer, deve agradar parcialmente a empresários, sindicalistas e a classe política em geral, que vêm pressionando fortemente o BC nos últimos meses. Enquanto isso, o BC irá receber uma série de críticas por decidir pela oitava vez elevar a Selic.
Um dos riscos dessa política mais dura do BC é provocar uma desaceleração do crescimento da economia. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) teve um crescimento de 5,2%, o maior desde 1994. A expansão da indústria foi de 8,3% -o melhor desempenho em 18 anos.
A autoridade monetária teme que a recuperação econômica cause reajustes nos preços por parte da indústria. Essa pressão pode ser maior se a indústria não for capaz de atender toda a demanda. A justificativa para a reunião de ontem será conhecida no dia 28, quando será divulgada a ata do Copom.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria, deputado Armando Monteiro, disse ontem que a nova elevação da taxa Selic frustra, decepciona e preocupa a indústria e todo setor produtivo. ''Mais uma vez a indústria e o conjunto da sociedade brasileira experimentam a frustração de verificar que a decisão do Copom se coloca numa linha equivocada. Fomos surpreendidos por esta decisão'', afirmou Monteiro.


