O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros da economia brasileira de 14% para 13,75% ao ano. A decisão, tomada de forma unânime, representa o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual e leva a Selic ao menor nível desde março de 2025, quando estava em 13,25% ao ano.

A reunião foi a última do Copom antes das eleições de 2026. O movimento ocorre em um cenário de desaceleração da inflação, que ganhou força nos dados mais recentes. Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou deflação de 0,32%, a maior queda para um mês desde agosto de 2022. Em 12 meses, o índice acumulou alta de 4,22%, abaixo do teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.

A queda dos preços em agosto foi influenciada principalmente pela redução da conta de energia elétrica residencial, que recuou 7,63% com o desconto proporcionado pelo Bônus de Itaipu. Também houve redução nos preços de alimentos e transportes. O grupo Alimentação e Bebidas caiu 0,34%, enquanto Transportes recuou 0,86%. No acumulado do ano, o IPCA registra alta de 3,11%.

Apesar do resultado favorável de agosto, a inflação ainda permanece acima da meta central de 3%. A própria composição do índice indica que alguns preços continuam pressionados. O grupo de despesas pessoais, por exemplo, teve alta de 1,30% no mês, influenciado principalmente pelo aumento de 19,59% no preço do cigarro. A inflação de serviços também segue como um dos pontos de atenção para a política monetária.

A redução da Selic tende a diminuir gradualmente o custo de empréstimos e financiamentos, embora o repasse para consumidores e empresas não seja imediato nem ocorra na mesma intensidade para todas as modalidades de crédito. A taxa básica também serve de referência para aplicações financeiras, especialmente as de renda fixa.

O novo corte ocorre depois de um ciclo iniciado em março deste ano. Desde então, a Selic vem sendo reduzida em passos de 0,25 ponto percentual. Antes da sequência de cortes, a taxa havia permanecido em 14% ao ano.

A trajetória dos juros nos próximos meses dependerá da evolução da inflação, da atividade econômica e das expectativas para os preços. Entre os fatores de risco estão as condições climáticas, com possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre alimentos, além do cenário internacional e do comportamento dos preços de commodities.(Com informações do UOL)

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