Banco Central reduz juro a 23,5% ao ano
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Agência Folha 
O Banco Central anunciou nova redução dos juros básicos da economia, que caem a partir de hoje de 27% para 23,5% anuais, e sinalizou que poderá voltar a baixar a taxa nas próximas semanas. A tendência de queda dos juros foi indicada pelo Copom (Comitê de Política Monetária do BC), que se reuniu ontem e, além de baixar os juros básicos, manteve o viés de baixa para a taxa.
Esse mecanismo autoriza o presidente do BC, Armínio Fraga, a reduzir os juros quando considerar conveniente, a seu exclusivo critério, sem esperar pela próxima reunião do Copom, marcada para o dia 23 de junho. O Copom é um conselho formado por diretores (com direito a voto) e chefes de departamento do BC que se reúne em intervalos de cinco ou seis semanas para definir a trajetória dos juros básicos.
A queda dos juros de ontem confirmou as expectativas do mercado financeiro, que de forma geral apostava na fixação da meta da taxa Selic em 24% anuais. A Selic é a média das taxas usadas pelos bancos em empréstimos por um dia vinculados a títulos federais. Os bancos tomam e concedem empréstimos de curtíssimo prazo para fechar o caixa no final do dia. O BC é o principal participante desse mercado e tem grande influência sobre a Selic. Foi a sétima redução da meta da Selic desde a desvalorização do real de janeiro passado, quando o BC promoveu um choque de juros para conter pressões inflacionárias.
Os juros básicos, que antes da desvalorização oscilavam em torno de 29% anuais, foram elevados pelo BC em vários movimentos seguidos, até atingir 45% anuais. Em 24 de março o BC começou a baixar os juros, pois, na sua avaliação, não se confirmaram os sinais que indicavam alta da inflação. Segundo o BC, a baixa dos juros também é justificada pelo retomada dos fluxos de capitais estrangeiros para o Brasil e pelos resultados que considera positivos nas estatísticas do déficit público. A Selic é conhecida como a taxa básica da economia porque as instituições financeiras a utilizam como referência para fixar os juros de suas operações com clientes.
Com a nova redução da Selic, devem cair os rendimentos das principais aplicações financeiras, como fundos de renda fixa, caderneta de poupança e CDBs. Teoricamente, também deveriam cair os juros cobrados pelas instituições financeiras em cartões de créditos, cheques especiais e crédito ao consumidor.
Mas, na prática, essas taxas não vêm caindo proporcionalmente à redução da Selic. De forma geral, os bancos alegam altos custos e inadimplência em seus créditos. O ministro Pedro Malan (Fazenda) disse que a expectativa do governo é que os juros reais (descontada a inflação) fiquem em menos de 10% até o final do ano. A queda dos juros é considerada fundamental para a retomada do crescimento econômico. Os juros têm forte influência sobre a atividade econômica e o emprego. De forma geral, quando os juros ficam mais baixos, as empresas investem mais e criam empregos. Quando a taxa é alta, ocorre o inverso.


