São Paulo - O relatório de inflação de junho divulgado ontem pelo Banco Central (BC) reforça a preocupação do Comitê de Política Monetária (Copom) com o descompasso da demanda agregada ante a oferta e suas pressões de alta da inflação, o que deve levar o BC a subir novamente os juros em 0,75 ponto porcentual na reunião que será encerrada no dia 21 de julho, avaliou o economista-sênior do banco JP Morgan, Júlio Callegari. ''Com o movimento de aperto monetário, que deve levar a Selic para 12,50% em dezembro, o PIB deve desacelerar de uma marca ao redor de 7,5% em 2010 para 4,5% em 2011. Mesmo assim, a inflação deve fechar o próximo ano em 5,1%, acima da meta de 4,5%'', comentou.
No documento informado pela autoridade monetária, o BC aumentou sua projeção de crescimento do País para este ano de 5,8% para 7,3%. Além disso, explicitou que as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano e o próximo subiram um pouco, tanto para o cenário de referência como para o de mercado. No caso das previsões do BC para o indicador, houve uma elevação de 5,2% para 5,4% para 2010 e de 4,9% para 5% em 2011. Por outro lado, as estimativas no cenário de mercado avançaram de 5,2% para 5,3% neste ano e de 4,4% para 4,6% nos 12 meses seguintes.
Os aumentos das projeções de inflação, segundo Callegari, não geram pânico, mas colaboram para que o BC ressalte que houve uma deterioração dos riscos de estabilidade de preços, pois a economia está bem aquecida e a oferta de produtos no mercado tem limites estruturais, mesmo com a alta vigorosa das importações.
Em função do nível de atividade muito forte, Callegari destaca que o BC deve elevar os juros para 11% no próximo dia 21 e continuar o aperto monetário com mais três incrementos consecutivos de 0,50 ponto porcentual cada um nos dias primeiro de setembro, 20 de outubro e 8 de dezembro.

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