Curitiba - A projeção de crescimento da economia para este ano foi novamente ajustada para baixo. De acordo com a pesquisa semanal do Banco Central (BC), a estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 2,21% para 2,20% neste ano. Para 2014, também houve redução da estimativa de 2,50% para 2,40%. O economista e reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins, lembrou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tinha estimado, no início deste ano, um crescimento de 4% para o PIB de 2013, percentual que já foi reduzido a praticamente a metade.
"Esta estimativa de 2,20% é preocupante em um cenário de dólar subindo, inflação alta, preço de combustíveis represado e cenário internacional incerto. O Brasil ainda tem um abacaxi que é a infraestrutura que está puxando o crescimento para baixo", destacou.
Martins disse que a situação econômica atual pode levar a uma diminuição do poder de compra das pessoas, o que provocaria a redução de consumo e ainda um aumento do desemprego. ‘’Quando o dólar sobe rápido, encarece os produtos importados, reduz o consumo destes itens, o que também puxa o PIB para baixo’’, analisa.
Para o economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro, os indicadores do comércio contribuíram para que a estimativa do PIB fosse menor ainda. Ele lembrou que, de janeiro a junho, o comércio cresceu apenas 3,7% no País, enquanto no mesmo período do ano passado a alta havia sido de 9,06%. ‘’O comércio é reflexo do consumo que está diminuindo e do endividamento das famílias’’, destacou.
Ele prevê que o PIB caindo pode trazer impactos para o nível de emprego, com consequência imediata na renda. Para Castro, outra preocupação é a alta do dólar que poderá refletir no aumento da inflação. ‘’Com o aumento do dólar fica mais caro importar produtos, diminui o consumo destes produtos e pode afetar o PIB’’, disse. Segundo ele, o dólar pode impactar também no custo industrial.
Castro explicou que o dólar caro dificulta para as empresas fazerem planejamento de longo prazo, o que também inibe o crescimento do PIB. Segundo ele, as empresas que possuem dívidas em dólar terão um custo maior a partir de agora.
No ano passado, o crescimento do PIB do Paraná e do Brasil foi de 0,9%. No primeiro trimestre deste ano, o PIB do Estado cresceu 2,8% e o do País 0,6%. Castro lembrou que a previsão para o crescimento do PIB do Paraná para este ano é de 3,5%. Para Castro, o que deve alavancar o crescimento da economia paranaense acima da nacional é o desempenho do agronegócio com a safra recorde de grãos, o fato de Curitiba ter o maior salário médio, o emprego industrial que cresce no Estado há 21 meses e o começo da maturação dos investimentos de novas empresas que se instalaram no Paraná.

Imagem ilustrativa da imagem Banco Central prevê PIB em 2,20% no fim de 2013
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