Banco Central mantém a taxa de juros em 16,5%
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2004
Das Agências 
São Paulo - A manutenção da taxa básica de juros em 16,5% ao ano - anunciada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) - demonstrou o compromisso do Banco Central com o regime de metas de inflação. ''Foi de uma coragem política grande'', afirma o economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Roberto Troster. Na avaliação do economista, o Banco Central ''ganha credibilidade e isso deve contribuir para baixar a taxa de juros de longo prazo''.
A Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) considerou ''acertada'' a manutenção da taxa Selic na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2004. Para o presidente da Fenacrefi, José Arthur Assunção, a decisão mostra que o Banco Central (BC) optou por maior conservadorismo.
''A decisão do BC apenas ratificou o que havia sido divulgado há um mês atrás, na ata do Copom de dezembro, em que se afirmou que, daquele momento em diante, as quedas na Selic seguiriam um ritmo bem mais gradual do que o verificado no segundo semestre de 2003'', analisa.
Ao contrário da Febraban e da Fenacrefi, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, considerou que a manutenção da taxa Selic em 16,5% ao ano mantém a economia sufocada. Para ele, a manutenção da taxa Selic em 16,5% ao ano, impede que haja a esperada retomada do crescimento econômico do País. ''Infelizmente continuamos prisioneiros da miopia do Copom, que não enxerga a estabilidade econômica por um ângulo que não seja o da política de juros altos'', disse Rocha Loures.
Para o presidente da Fiep, a manutenção da Selic em patamares ainda tão altos prejudica o setor produtivo de várias formas. Ele cita como exemplo a interferência que o juro tem no câmbio e as dificuldades que esta visão da política monetária cria para as exportações brasileiras.
''Com o juro alto, o real se mantém artificialmente valorizado, facilitando a entrada de capital especulativo no País. Isso gera insegurança e reduz a competitividade do Brasil no exterior'', disse. Segundo Rocha Loures, o mundo pede a redução dos juros e, mesmo assim, o Copom insiste em manter taxas elevadas. ''Isto está sufocando a economia brasileira'', avaliou.
Para o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, a decisão do Copom vai ''emperrar o espetáculo do crescimento''. ''O país precisa de um ambiente de juros baixos para poder crescer. Essa decisão joga por terra tudo o que foi dito na última reunião ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva'', concluiu Paulinho.


