Banco Central já admite que IPCA pode 'estourar o teto'
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quinta-feira, 30 de agosto de 2001
Agência Folha 
O Banco Central admitiu ontem que a variação acumulada do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2001 e a contribuição dos preços administrados para o índice no restante do ano (0,92%) indicam que a inflação pode ficar pouco acima de 6%. A afirmação consta da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) da instituição, na qual os juros foram mantidos em 19% ao ano.
O IPCA é o índice que baliza o sistema de metas de inflação do governo federal, sendo que a meta para este ano é de 4%, com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Ou seja, o teto da meta é de 6%. Caso o IPCA fique acima do teto, o presidente do BC, Armínio Fraga, terá de escrever uma carta pública ao ministro Pedro Malan (Fazenda) explicando as razões para o ''estouro'' da meta.
Na ata do Copom, divulgada ontem, o BC informou que a desaceleração econômica, que tende a diminuir a inflação, aliada, entretanto, ao aumento do núcleo de inflação nos últimos meses e os riscos ainda existentes de pressões para repasses da desvalorização cambial para os preços levaram os integrantes do Comitê a manter, por unanimidade, a taxa de juros em 19% ao ano na semana passada.
A ata também informou que esse cenário recomendou ''cautela'' da administração da política monetária. ''Nessas circunstâncias, o Copom concluiu que a política monetária encontra-se adequada para assegurar a convergência da inflação às suas metas'', informou o documento.
O Copom informou também que ''estatísticas recentes'' e outras evidências confirmaram a continuidade, nos últimos meses, do processo de desaceleração econômica iniciada no final do primeiro trimestre. ''Esse comportamento reflete o impacto do cenário econômico internacional e da crise de energia sobre as expectativas e a economia doméstica'', diz a ata.
Por outro lado, o documento informa que o núcleo de inflação, embora tenha apresentado ligeiro recuo, continua em nível elevado. ''A análise dos itens incorporados no cálculo do núcleo da inflação no mês de julho aponta para pressão sobre preços distribuída por várias categorias de produtos'', informou a ata.
Apesar do quadro de desaquecimento da economia brasileira favorecer uma queda da inflação no futuro, o comportamento da taxa de câmbio (alta do dólar) continua sendo uma fonte de preocupação para o BC.
''Ainda há riscos de ocorrerem repasses da taxa de câmbio para os preços domésticos decorrentes da depreciação acumulada desde o início do ano. Os riscos de repasse são mais intensos à medida que se perceba a depreciação como permanente e a demanda se recupere'', informa o documento. No curto prazo, segue a ata, ''as incertezas que pairam sobre o mercado cambial ainda não se dissiparam''.
No médio prazo, o BC acrescenta que é razoável supor melhora no balanço de pagamentos (resultado de todas as transações do país com o exterior) devido à natureza transitória dos vários choques e a ''reação da política econômica''.


