A sexta-feira espremida entre o feriado e o fim de semana acabou sendo muito ruim para o mercado financeiro. O Ibovespa também sentiu o impacto das bolsas norte-americanas, que operaram em queda em reação aos alertas de lucros mais baixos feitos por McDonald’s, Nortel Networks e JDS Uniphase.
O dólar, mesmo recuando com novo leilão de títulos cambiais por parte do Banco Central, manteve-se em cotação muito elevada, por causa dos pagamentos de empresas privadas de compromissos externos, entre outros motivos. Por conta disso, os investidores também abandonaram a aposta de manutenção dos juros na reunião do Comitê de Política Monetária, nas próximas terça e quarta-feira. Pela alta dos juros futuros, está configurada a aposta majoritária de elevação da Selic, hoje em 16,75%, em 0,50 ponto porcentual.
O Ibovespa fechou o dia com queda de 2,71%, movimentando pouco mais de R$ 368 milhões. Os investidores também estão preocupados com a Argentina, onde o ministro Domingo Cavallo anunciou algumas medidas para o crescimento da economia, entre elas, a redução do imposto de renda para pessoa física.
O dólar comercial recuou após a intervenção do Banco Central para dar hedge ao mercado pela manhã e fechou em queda de 0,41%, vendido a R$ 2,412, após três dias úteis em alta. A abertura do dólar em alta de até 0,54%, a R$ 2,435, fez o Banco Central avaliar que havia falta de liquidez no mercado, disse um profissional. A autoridade monetária decidiu então fazer logo cedo um leilão de 2 milhões de papel cambial para dar hedge ao mercado e conseguiu derrubar um pouco a cotação. Ainda assim, o dólar acumulou alta de 2,25% na semana, em 2001, o ganho acumulado frente o real está em 23,63%.
Os especialistas do mercado cambial afirmaram que ainda não é possível prever uma tendência para o dólar, por várias razões, entre elas há grande concentração de vencimentos de captações feitas no exterior por empresas privadas e públicas neste mês e o fluxo de recursos pode continuar sendo negativo.

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