Banco Central está preocupado com a inflação
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domingo, 01 de agosto de 2004
Tom Morooka<br>Agência Estado 
São Paulo- O mercado financeiro dá o pontapé aos negócios do novo mês movido por alentadores dados de crescimento da economia. O fato, por si, seria altamente animador não fosse a volta da inflação como foco principal dos mercados. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada semana passada, reforça a preocupação com a inflação derivada de um fator que, mais cedo do que se imaginava, poderia influenciar a decisão sobre os juros, que é a retomada mais vigorosa da atividade econômica.
O vice-presidente executivo de Tesouraria do Banco WestLB do Brasil, Flávio Farah, comenta que a ata trouxe um fato novo, a atenção do Banco Central com a inflação alimentada pela expansão da economia. Ele lembra que, até agora, a pressão sobre a inflação tinha origem em fatores sazonais e na alta de preço das commodities, produtos agrícolas vendidos ao exterior. O principal indicador de inflação na semana é o IPC-Fipe de julho, que será divulgado na quarta-feira.
Farah diz que o mercado permanecerá atento também aos dados da economia americana que serão conhecidos ao longo da semana. Entre os principais, ele destaca o anúncio, na terça-feira, do PCE, um índice de inflação que o mercado considera importante referência para o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) na tomada de decisão sobre o rumo dos juros. A próxima reunião do Fed para deliberar sobre os juros está marcada para o dia 10.
Outros dados de interesse nos EUA são os números sobre a taxa de desemprego e o índice mensal de criação de novas vagas de trabalho, ambos com divulgação na sexta.
No cenário interno, o executivo do WestLB do Brasil diz que um evento de interesse no câmbio será a consulta que o BC fará ao mercado na terça-feira para a realização ou não, no dia seguinte, do leilão para a substituição dos contratos de swap cambial da dívida de US$ 1,529 bilhão que vence no dia 12. ''Existe boa possibilidade de que o BC não faça nenhuma rolagem.''
A chegada de agosto traz de volta também a preocupação com a retomada do julgamento, provavelmente no dia 18, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins) que pedem a suspensão da contribuição previdenciária dos servidores inativos. O placar está 2 a 1 contra o governo, mas, como existem três votos não declarados contra essa contribuição, o sentimento no mercado é de que a causa está quase perdida. Uma possível derrota do governo tende a provocar estresse no mercado, porque faz cair por terra a principal medida da reforma previdenciária para suavizar de imediato o rombo nas contas da Previdência Social.


