Banco Central eleva previsão de inflação para 4,4% em 2002
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quarta-feira, 27 de março de 2002
Agência Folha 
Brasília O Banco Central sinalizou que pretende manter a tendência de queda dos juros básicos da economia, que neste ano caíram 0,5 ponto percentual. Para isso, estuda trabalhar com um estimativa de inflação acima de 4,5%.
Atualmente, o objetivo da autoridade monetária é manter a inflação dentro da faixa entre 4% e 4,5%. Ontem, o diretor de Política Econômica do BC, Ilan Goldfajn, disse que a instituição pensa em modificar essa faixa. Uma banda mais larga significaria maior espaço para uma redução nos juros.
Adotamos um viés de vamos pensar, afirmou Goldfajn. Viés é o nome dado ao instrumento que permite ao presidente do BC modificar a taxa de juros sem que haja necessidade de uma reunião do Copom.
Goldfajn afirmou que, por enquanto, o objetivo de manter a inflação entre 4% e 4,5% continua. Nós não mudamos a faixa ainda, disse. Mas não descartou uma mudança. Segundo estimativas divulgadas ontem, o BC projeta inflação de 4,4% para este ano.
Oficialmente, a meta de inflação é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. No mês passado, o BC passou a interpretar de modo diferente o significado dessa meta.
Para o Copom, choques sofridos pelo País em 2001 ainda vão afetar a inflação deste ano. Esse impacto, chamado de inércia inflacionária, pode chegar a 0,7 ponto percentual na inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
O BC também passou a classificar o aumento de tarifas públicas previsto para este ano como um novo choque de oferta, que provocaria aumento de até 0,5 ponto percentual no IPCA deste ano.
Segundo o BC, o aumento de preços causado por esses choques não pode ser revertido com um aumento da taxa de juros, como acontece no resto da economia. Diante de toda essa situação, o Copom, que se reúne todo mês para definir os juros atualmente em 18,5% ao ano , concluiu que deveria passar a calibrar os juros para manter a inflação dentro da faixa entre 4% e 4,5%.
Ontem, o BC revisou sua projeção em relação às tarifas públicas. O aumento esperado, que era de 5,7%, passou para 6,8%, por causa dos recentes reajustes no preço dos combustíveis.


