São Paulo - O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) manteve os juros em 1,75% ao ano, como previa a maioria dos analistas em Wall Street. Ainda de acordo com o esperado, a instituição alterou o viés dos juros para ‘‘neutro’’, mudando o discurso de que a desacelaração é a maior ameaça à economia.
A decisão reforça a aposta nos mercados de que a instituição começará a reverter sua política monetária, elevando os juros a partir de sua próxima reunião, em 7 de maio. Ao manter os juros, o Fed confirma a avaliação do presidente da instituição, Alan Greenspan, de que a recuperação da economia ‘‘está a caminho’’, e responde aos sinais de reaquecimento da economia. O desemprego diminuiu, o PIB (Produto Interno Bruto) do quarto trimestre cresceu mais do que o previsto e a indústria voltou a se expandir depois de 19 meses de contração. Entretanto, para o Fed os indicadores não são sólidos o suficiente e nem a inflação representa risco iminente a ponto de exigir aumento nos juros.
No ano passado, o Fed lançou sua mais agressiva campanha de política monetária, com uma sequência de 11 cortes nos juros para estimular a economia em meio à recessão. Os cortes, que se iniciaram em janeiro, trouxeram os juros anuais de 6,5% para 1,75%, os menores desde o governo de John F. Kennedy, há 40 anos.
Nos últimos três meses do ano passado, a economia dos EUA teve expansão de 1,4%, após ter registrado contração no trimestre anterior. Já o desemprego recuou para 5,5% em fevereiro, depois de atingir 5,6% em janeiro, com a criação de 66 mil novos postos de trabalho.
O clima de otimismo sobre a retomada de crescimento foi ainda reforçado pelas previsões dos bancos de investimentos Merrill Lynch e Salomon Smith Barney. Ambos afirmaram anteontem esperar crescimento do PIB acima de 5% no primeiro trimestre deste ano.

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