O investidor não deve contar com uma elevação do juro básico, por iniciativa do Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de dois dias que começa amanhã e termina na quarta-feira. O prognóstico é do vice-presidente-financeiro do Banco ABC Brasil, Alfredo Neves Penteado Moraes. Convencido da resistência do Banco Central a uma elevação da taxa doméstica, ele é taxativo ao indicar os CDBs de médio e longo prazo, superior a 180 dias, e os fundos de renda fixa recheados de títulos bancários com esse prazo como opções mais atraentes, no momento. ‘‘Um papel prefixado com juro entre 20% e 21% ao ano vai render mais que a taxa do overnight’’, referenciada no juro básico de 18,50% ao ano.
Segundo o executivo, o BC vai fazer vista grossa ao aumento de meio ponto porcentual no juro básico norte-americano, deslocado de 6% para 6,50% na terça-feira, e às incertezas alimentadas pela suspeita de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) pode continuar elevando os juros por lá.
Moraes acredita que o BC vai apegar-se exclusivamente nos fundamentos internos positivos, como o equilíbrio das contas públicas, o nível de inflação abaixo das expectativas e o nível de atividade econômica pouco acima das estimativas, para apostar também na baixa exposição da economia à instabilidade externa e manter a taxa básica de juro estável em 18,50%. Se o raciocínio estiver correto e o BC mantiver os juros onde estão, o fundo DI, que tem rendimento colado na taxa do mercado, deixa de ser interessante.
A Bolsa de São Paulo tem maior potencial de valorização que as ações em Nova York, mas vai permanecer patinando enquanto ficar mantido o quadro de instabilidade externa. ‘‘Vai continuar sofrendo com Nova York, mas vai sair na frente quando for restaurado um clima de maior calmaria’’, afirma, sugerindo que o investidor que está fora permaneça longe do mercado de ações, por enquanto.
Além de Nova York, o mercado financeiro deve permanecer olhando a evolução da crise econômica na Argentina. A elevação dos juros nos EUA tende a agravar a já frágil situação fiscal argentina, cujo estouro poderia levar à derrocada da economia local e afetar a dos vizinhos.
O executivo do ABC Brasil afirma que essas duas fontes de tensão externa podem manter a pressão sobre o dólar. Mas, como a variação do câmbio é altamente imprevisível, ele não indica o investimento ligado ao dólar, nem a compra nem o ingresso num fundo cambial, a menos que se tenha passivo em dólar e se necessite de proteção contras bruscas oscilações cambiais.

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