Arquivo FolhaJogo monetárioGustavo Franco, do BC: ‘‘Se as reservas caem, há pânico; quando sobem, a preocupação custa caro’’Os fluxos de entrada de divisas no País de fevereiro e março não se repetirão. Essa idéia vem sendo comentada pelo mercado e foi confirmada, ontem, pelo presidente do Banco Central, Gustavo Franco, que esteve no Rio. ‘‘Os fluxos não tendem a se repetir, não só porque havia taxas de juros muito maiores, como uma liberalidade regulatória que precisava ser aproveitada’’, disse. O presidente do BC se referia a empréstimos que tinham data para terminar. Segundo ele, houve uma forte entrada de recursos em busca desses prazos.
Quanto à possibilidade de o BC voltar a intervir no mercado para restringir a entrada de capital especulativo, Franco foi genérico. Disse apenas que os mecanismos são conhecidos de todo o mercado. ‘‘O cardápio é variado, e a gente utiliza em todo ou em parte quando precisar’’, afirmou. ‘‘Toda vez que as reservas sobem, fala-se em instrumentos para restringir e, quando caem, para estimular. Faz parte do jogo’’, disse. ‘‘Se as reservas caem US$ 1 bilhão há pânico, quando sobem US$ 1 bilhão, a preocupação é que custa caro.’’
Franco lembrou apenas que a incidência do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre as contas de brasileiros não-residentes no país, as CC5, não tem a ver com controle de reservas, mas com uma tributação que ele julga justa.
A alta das reservas do país nos últimos meses não é o único fator que será levado em conta na próxima reunião de política econômica do governo, marcada para mês que vem, segundo Franco.
Há outras variantes, como nível de atividade, contas fiscais, contas externas, enumerou. Ele admitiu que os juros ‘‘ainda têm algo de excepcionalidade da crise asiática’’ e voltou a afirmar que a tendência é a volta à normalidade.
Franco explicou que vários fatores também impedem os consumidores de sentirem imediatamente a redução das taxas de juros básicas da economia, estabelecidas pelo BC.
Entre eles, Franco citou o recolhimento compulsório - reserva estipulada para os bancos manterem no BC -, a tributação em geral e ainda as altas margens de lucro praticadas pela indústria financeira. ‘‘Crédito ao consumidor é uma área nova e tem muito o que amadurecer ainda’’, disse.

mockup