O Banco Central voltou a vender dólar ontem à tarde e finalmente conseguiu derrubar as cotações, após cinco dias úteis em alta. O dólar comercial fechou vendido a R$ 2,4350, em queda de 1,42%, depois de subir pela manhã até 3,64%, a R$ 2,56 – nível que atraiu exportadores à venda de moeda para realização de lucros. O fluxo positivo, decorrente dessas vendas de exportadores e de um ingresso de recursos pela Petrobras, também ajudou no recuo dos preços. Mas foi a intervenção do BC o fator decisivo para a queda, porque as tesourarias de bancos saíram atrás vendendo moeda para realizar lucros e não havia comprador na última hora de negócios.
Mais uma vez, no entanto, a atuação do BC ontem confundiu o mercado. Os profissionais das mesas de operação disseram que, aparentemente, o volume de moeda vendido à tarde ficou muito acima dos cerca de US$ 50 milhões/dia estimados anteontem para a oferta linear, que seria feita pela autoridade monetária até o fim do ano com base no volume de até US$ 6 bilhões disponíveis para intervenções.
As vendas de dólar pelos bancos ontem, segundo os profissionais do mercado, também podem ter ocorrido com maior intensidade por causa da melhora de alguns indicadores econômicos argentinos (leia mais na página 3). O brady argentino FRB subiu, o risco país diminuiu e também houve rumores de que o governo argentino poderá anunciar novas medidas econômicas e fiscais para reativar a economia durante o fim de semana prolongado.
Na segunda-feira será feriado na Argentina e também no Estado de São Paulo. Por isso, há expectativa de que a pressão sobre o dólar seja menor, a menos que as eventuais medidas argentinas desagradem aos investidores.
Durante o dia, no mercado à vista, o dólar acentuou sua volatilidade, ao oscilar 5,34% entre a mínima de R$ 2,43 (-1,62%) e a máxima de R$ 2,56 (+3,64%). A Ptax (média das cotações apurada pelo BC) fechou a R$ 2,4943, com alta de 3,44%. Mesmo com o fechamento em queda ontem, a moeda norte-americana continua apontando ganho frente ao real neste mês e na semana de +5,32% e, em 2001, de +24,81%.
O comportamento dos juros continuou ‘‘colado’’ ao do câmbio nesta sexta-feira. E como o dólar cedeu terreno, com a intervenção direta do Banco Central vendendo moeda, os juros também recuaram um pouco. A projeção de juros do contrato de DI futuro para 1º de outubro, o mais negociado, apontou taxa de 23,11% ao ano, ante 24,25% do fechamento de quinta-feira.
O Ibovespa rompeu ontem o suporte dos 14 mil pontos para fechar em 13.906 pontos, em baixa de 1%.
(Silvana Rocha, Marisa Castellani e Mario Rocha)

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