Banco Central ajusta variação do dólar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de janeiro de 1998
Agência Folha Brasília 
O governo anunciou ontem novos limites para a variação da cotação do dólar, com sinalização de que a política de desvalorizações graduais do real será mantida. O piso para a cotação passou de R$ 1,05 para R$ 1,12, e o teto, de R$ 1,14 para R$ 1,22. Esses limites, chamados de bandas cambiais, valem a partir de hoje. Por meio do sistema de bandas, o Banco Central promove desde março de 1995 uma política de desvalorização do real em relação ao dólar para estimular as exportações sem trazer de volta a inflação. A banda anterior estava em R$ 1,05 com R$ 1,14 desde o dia 10 de fevereiro de 97.
Após a crise que explodiu na Ásia em outubro último e tornou mais escasso o capital externo, o governo decidiu acelerar as desvalorizações do real em 98. A política cambial que estamos implementando há dois anos vai se manter. Nós temos uma política flexível e não vamos mudá-la, disse o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Demósthenes Madureira de Pinho Neto.
O diretor disse que o mais importante é o intervalo entre o piso e o teto de variação do dólar. Segundo ele, esse intervalo foi de 8,8% em 1995, de 9,28% em 1996, de 8,6% em 1997 e agora será de 8,9%. O governo continua comprometido com a política cambial, reafirmou ele.
A mudança no teto sempre é anunciada quando a cotação no mercado financeiro se aproxima do limite fixado e isso estava acontecendo, disse. Traduzindo: as bandas costumam valer por períodos de cerca de um ano. A princípio, o intervalo entre o piso e o teto dá uma noção de quanto o governo pode desvalorizar o real durante esse prazo.
Entretanto o governo não se compromete com um período de duração da banda, o que significa que a política de desvalorizações é flexível e o ritmo pode ser alterado conforme as circunstâncias.
Questionado se a próxima alteração seria apenas em 1999, Pinho Neto não deu uma resposta. Segundo ele, o governo tem feito uma mudança por ano no teto da banda e essa política não vai mudar.
O governo brasileiro não pratica um regime de bandas clássico, no qual a cotação do dólar pode variar livremente dentro do intervalo fixado e o BC só intervém para evitar que os limites sejam desrespeitados. No sistema do BC, a cotação do dólar está sempre em movimento de alta. Ela só varia livremente dentro de pequenos intervalos informais, chamados minibandas ou intrabandas, alterados a cada semana. Mudando as minibandas, o BC promove a desvalorização do real.
No ano passado, o governo manteve uma média de 0,6% ao mês para as desvalorizações. Neste ano, espera-se que a taxa suba a 0,7% mensais, ou 8,7% ao ano. Essa expectativa é compatível com as novas bandas anunciadas ontem, o que significa que não deverá haver novas alterações neste ano.


