Banco brasileiro não recebe
mais depósitos do Paraguai
Arquivo FolhaReal depositado no Paraguai era automaticamente convertido em dólar


Emerson Dias/Alexandre Palmar
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha

A partir de amanhã, as agências bancárias de Foz do Iguaçu estão proibidas de receber depósitos em real de bancos paraguaios. A ordem veio do Banco Central, que cancelou uma autorização especial concedida em 1996 a cinco instituições financeiras sediadas na cidade. São elas os bancos Real, Araucária, Bemge, Banestado e Banco do Brasil.
A operação era comum na fronteira. Com a movimentação intensa de brasileiros nas lojas de Ciudad del Este, os comerciantes fazem grandes depósitos em moeda brasileira nas agências do Paraguai. Com a autorização, era possível trazer o dinheiro, passando pela Ponte da Amizade com carros-fortes liberados pela Polícia Federal, e depositá-lo em bancos brasileiros nas contas abertas pelas próprias agências de Ciudad del Este. Ao cair nessas contas, os reais eram convertidos automaticamente em Dólares.
Agora, qualquer remessa desta natureza que chegar ao Brasil será enquadrada como crime de evasão de divisas. Pelas leis brasileiras, o valor máximo que pode ser passado na fronteira é R$ 10 mil. Acima disso, é obrigatório declarar à Receita Federal.
O fim da autorização especial vai refletir diretamente no comércio paraguaio. Os lojistas, que já têm um certo receio em receber o real, agora podem insistir para que os sacoleiros brasileiros paguem as compras com a moeda americana. Além disso, as cotações podem mudar, já que normalmente o Dólar é cotado em Ciudad del Este entre R$ 1,77 e R$ 1,83, cerca de dez centavos mais barato que nas agências de câmbio do Brasil.
Em Foz do Iguaçu, as saídas líquidas de dinheiro das contas de não residentes somaram em 1999 US$ 1,6 bilhão, contra o total de US$ 12,7 bilhões registradas no país.
Não foi possível levantar quanto desse montante foi convertido de real para Dólar pela autorização especial.
O cancelamento faz parte de um conjunto de medidas divulgadas na última quarta-feira pelo diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, que visa mudar o tratamento dado pelo país ao capital estrangeiro, e também inibir possíveis lavagens de dinheiro proveniente de tráfico de drogas e outras atividades ilegais que podem ocorrer nessas transações.
Outras três medidas são o fim da proibição nas captações externas com prazo inferior a 90 dias; o fim da obrigatoriedade dos bancos em informar o prazo e o destino de suas captações externas; e a simplificação do registro dessa captações.