Banco Araucária sofre intervenção do BC
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quarta-feira, 28 de março de 2001
Carmem MuraraDe Curitiba 
O Banco Araucária amanheceu ontem sob intervenção do Banco Central. A liquidação extrajudicial foi determinada na noite anterior às 23h15, quando foi feita a comunicação oficial. Além do banco paranaense, houve a liquidação da corretora com o mesmo nome, do banco paulista Interpart e de seis administradoras de consórcios, entre elas as paranaenses Multiplan e HM. Em todos os casos havia problemas de liquidez, descumprimento das regras do Banco Central e dívidas. Os bens dos sócios estão indisponíveis desde ontem.
O Araucária estava sem condições de se sustentar no mercado e tinha um passivo a descoberto, afirmou o preposto do interventor Rui Ferreira da Costa, o inspetor Celso Roberto Heitzweber. O interventor calculou que o Araucária necessitava de cerca de R$ 300 milhões para fechar suas operações diárias. O banco não teria conseguido o financiamento e por isso foi bater à porta do Banco Central, que também negou o empréstimo e aproveitou para anunciar a liquidação.
Com sede em Curitiba e três agências, sendo uma em Foz do Iguaçu, a situação financeira do Araucária estava complicada. O patrimônio líquido do banco era de R$ 32,2 milhões, mas com ajustes exigidos pelo Banco Central, em agosto do ano passado, ficou no negativo em R$ 27,6 milhões. A insuficiência patrimonial chegou a R$ 45,2 milhões.
Há quase quatro anos o Banco Central e o Ministério Público Federal estavam de olho na operações do Araucária. O banco paranaense foi alvo de investigação das CPIs do Sistema Financeiro Nacional, do Narcotráfico por suspeita de lavagem de dinheiro. Os procuradores da República de Foz do Iguaçu chegaram a receber a informação de que o banco teria enviado para fora do Brasil, pelas contas CC-5 (contas para estrangeiros que moram no Brasil) cerca de R$ 2,6 bilhões. O diretor presidente do Araucária, Alberto Dalcanale, costumava se defender e dizia que nunca as acusações foram comprovadas. Ele não quis dar entrevista ontem.
O liquidante do banco apresentará em 30 dias relatório da situação do banco em liquidação. Somente os clientes que tinham até R$ 20 mil aplicados poderão sacar a partir de amanhã. Quem utilizava o banco como cofre poderá retirar os objetos de valor. Os demais terão de entrar na Justiça para se habilitarem à massa falida. Haverá uma lista de espera, explicou Heitzweber.
O Banco Central constituiu uma comissão de inquérito para apurar a responsabilidade pela gestão do Araucária e para demonstrar as causas da intervenção. O trabalho estará pronto em 180 dias.


