O reajuste de 8,4% nos salários oferecido pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ao Comando Nacional dos Bancários frustou mais uma vez o fim da paralisação da categoria, que já dura 19 dias em todo o País. Ontem, as entidades haviam marcado uma nova rodada de negociações, mas até o fechamento desta edição as conversas - retomadas na quarta-feira - nem haviam iniciado. Portanto, a expectativa dos sindicatos paranaenses é que a greve prossiga no início da semana que vem. Em todo o Estado, já são mais de 16 mil trabalhadores paralisados. Só em Londrina e região, são 100 agências fechadas.
De acordo com Carlos Cordeiro, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-Cut) e Coordenador do Comando Nacional, a proposta dos banqueiros é insuficiente. ''Os bancos perderam uma excelente oportunidade para resolver este impasse. A proposta não avança porque representa somente 0,93% de aumento real, além de não trazer valorização do piso nem melhoria na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), não atendendo assim, as expectativas dos bancários'', avaliou Cordeiro, através da assessoria da entidade.
Esta é a terceira proposta realizada pela Fenaban desde o dia 27 de setembro, quando a greve foi deflagrada. Na primeira rodada de negociação, os bancos ofereceram 7,8%, aumentaram para 8%, chegando agora a 8,4%.
Gisa Striquer Visotto, secretária-geral do Sindicato dos Bancários de Londrina, disse que mesmo com a possibilidade das negociações serem retomadas neste final de semana, as assembleias para discutir uma proposta hipotética acontecerão apenas na segunda-feira. ''Por isso, o movimento continua na semana que vem. Até porque, depois da negociação com a Fenaban, ainda tem que ser discutidas as situações do Banco do Brasil e Caixa, já que tudo é feito em mesa única.''
Gisa comentou ainda que as propostas precisam avançar não apenas no quesito salário, mas também em outros pontos discutidos pelos bancários, como melhoria das condições de trabalho e diminuição da rotatividade. ''Consideramos que as propostas ainda estão longe do ideal. A greve está forte, mas sabemos que está ficando complicado para os clientes.''
Em 2010, a greve da categoria durou 15 dias. Este ano, a paralisação já é considerada a maior das últimas duas décadas. São mais de 9,2 mil agências fora de operação em 26 estados e Distrito Federal. ''Acreditamos que a greve está mais longa devido a influência deste governo, que está mais ríspido em relação às negociações'', completou a secretária-geral do Sindicato.

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