Bancários reduzem pauta de reivindicação
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segunda-feira, 04 de outubro de 2004
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
O desgaste provocado pelos interditos proibitórios e a dificuldade em negociar forçará a executiva nacional dos bancários a apresentar, hoje, uma proposta mais humilde à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Ao invés de 25% de aumento, eles reivindicam agora 19%. Em compensação, elevaram o abono salarial de R$ 1,2 mil para R$ 1,5 mil em todos os níveis. Permanece a solicitação de acordo específico com os bancos federais e o pagamento dos dias parados. ''Queremos marcar uma nova reunião com a Fenaban e agilizar essa negociação. Estamos fazendo a nossa parte, mas a greve continua'', disse Geraldo dos Santos, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e região.
A paralisação, deflagrada há 20 dias em todo Brasil, é sustentada, principalmente, pelos funcionários do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Ontem, o movimento nas agências foi tranquilo, apesar do pagamento aos aposentados e recolhimento da contribuição ao INSS. Unibanco, Santander Banespa e BIC Banco uniram-se à outras instituições privadas que funcionam com apoio dos interditos proibitórios.
Na opinião do autonômo Flávio César Terciotti, a luta pelos direitos trabalhistas é justa, mas não deve prejudicar a população. Ele está gastando suas economias para honrar os compromissos com seus funcionários. ''Faço pagamentos aos finais de semana e recebo quase tudo em cheque. Tenho feito depósitos, mas não sei quando o dinheiro está entrando na conta. Caso a greve continue, serei obrigado a atrasar os salários'', adiantou.
A também autonôma Cristiane Ribeiro Flores está ansiosa porque há uma semana espera para retirar o dinheiro enviado pelo irmão que mora nos Estados Unidos. Sem ele, Cristiane disse que não consegue pagar as contas que já venceram. ''Para fazer esse saque preciso dos guichês, mas não vou pagar multas por atraso. A culpa disso tudo não é minha. Vou exigir reparação ao gerente'', afirmou a moça que está entre os milhares de desbancarizados no Brasil.
Além das enormes filas e da dificuldade com os cheques, os comerciantes estão sentindo falta de troco na praça. De acordo com Orlando de Almeida, proprietário de lanchonete no centro de Londrina, as moedas de R$ 0,05, R$ 0,10, R$ 0,25 e as notas de R$ 1 e R$ 10 sumiram dos bolsos. ''O movimento caiu 50% nos últimos dias e a situação não é pior porque peço ajuda aos outros comerciantes, aos meninos da Zona Azul e até à Igreja'', disse Almeida.
Ontem, a paralisação atingiu 36 das 108 agências bancárias na região de Londrina.


