Bancários protestam contra Itaú
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segunda-feira, 18 de junho de 2001
Luciana PomboDe Curitiba 
Sindicalistas organizaram ontem uma manifestação em frente à agência do Itaú de Santa Felicidade. Esta foi uma das cinco agências de Curitiba que funcionavam como Banestado e que foram modificadas para Itaú na manhã de ontem. Em todo o Paraná, foram 11 agências. Os manifestantes levaram carro de som e faixas denunciando o desemprego de bancários no Estado desde a privatização do Banestado, em outubro do ano passado.
Cerca de 500 panfletos com uma carta aos clientes do banco foram distribuídos. Na carta, os sindicalistas denunciam que mais de mil funcionários foram demitidos em Curitiba. Mais de 3,2 mil em todo o Brasil. Essas demissões são galopantes. Na semana que vem, outras 11 agências do Banestado serão transformadas em Itaú. Os postos de atendimento estão sendo fechados, alertou José Daniel Farias, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana.
Até agosto, a previsão é de que 148 das 340 agências do Banestado já tenham sido transformadas em Itaú. Fora do Paraná, não existem mais agências do banco paranaense. A situação mais grave é que foram demitidos funcionários paranaenses e trazidos bancários de São Paulo para trabalhar aqui. A agência da Anita Garibaldi é um exemplo disto, salientou ele.
Os bancários dizem que os clientes também estão sendo prejudicados com a mudança. No Interior, os créditos agrícolas fornecidos pelo Banestado foram cortados. As tarifas bancárias são mais altas do que as praticadas anteriormente. O Sistema Financeiro de Habitação (SFH) deixa de ter a taxa semelhante ao da Caixa Econômica Federal (CEF). Eles estão querendo expulsar os clientes. É assim que os bancos privados trabalham: com o comércio e grandes investidores, argumentou.
A secretária de imprensa da Federação dos Bancários do Paraná, Marisa Stédile, afirmou que o Itaú recebeu um presente do governo do Estado e deveria valorizar o Banestado. Ela destacou que o banco paulista recebeu o Banestado totalmente saneado, com crédito tributário de R$ 1,7 bilhão, uma rede de agência, contas do governo pelo prazo de cinco anos e R$ 415 milhões em ações da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel). O único dever do banco era a garantia de empregos. E o Itaú não cumpriu, complementou.
O diretor de Relações Institucionais do Itaú/Banestado, Aldous Galletti, lamentou ontem a manifestação dos bancários. Ele disse que o protesto foi fruto de uma desinformação do sindicato. Ele negou que todas as agências do Banestado serão modificadas. A estimativa é que isso aconteça com 50% delas. Até o final de julho 60 agências Banestado serão transformadas em Itaú. Com relação às demissões, Galletti afirmou que foram realizadas 2,7 mil demissões de todo o Estado, sendo que 2,4 mil através do Plano de Demissões Voluntários (PDV) solicitado, segundo Galletti, pelos próprios bancários.


