Bancários protestam contra demissões
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2003
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os sindicatos dos bancários de Curitiba e Região e Londrina e Região estão realizando manifestações contra as demissões que alguns bancos fizeram durante todo ano e principalmente nos últimos dois meses. Em Curitiba, os sindicalistas estiveram, ontem, em diversas agências com banda de música, o símbolo da demissão (a morte) e um Papai Noel que carregava em seu saco empregos como presente de Natal. Em Londrina, o sindicato fechou, na parte da manhã, a Agência Centro do Bradesco. Movimento semelhante está ocorrendo no País inteiro.
Em Curitiba, do início do ano até 10 de dezembro, o sindicato homologou 933 rescisões, sendo 646 demissões sem justa-causa, nove por justa causa, 227 pedidos de demissão, 44 aposentadorias, quatro desligamentos por outras razões e três mortes. Em Londrina foram 108 desligamentos, sendo 81 demissões sem justa-causa e 27 pedidos de demissão. Segundo os sindicatos, no momento o maior problema está acontecendo no Bradesco. A presidente do sindicato de Curitiba, Marisa Stédile, diz que não entende os números negativos do banco em relação a funcionários, se a instituição já se fundiu com outros três bancos e só aumentou seu número de correntistas.
De acordo com dados fornecidos por Marisa, o Bradesco aumentou seu número de contas correntes, em todo o País, de 6,3 milhões, em 1998, para 13,8 milhões em 2003 (119%), enquanto a média de funcionários por agência caiu, no mesmo período, de 16,8 para 14. Em Curitiba, o banco efetuou 78 cortes de janeiro até a última quarta-feira, sendo 38 em outubro e novembro. Em Londrina registrou-se 17 cortes em 2003, todos no final do ano. Um dossiê apresentado no início do mês pela Confederação Nacional dos Bancários mostrou que só em outubro e novembro o Bradesco demitiu 3 mil funcionários em todo o Brasil.
O Bradesco, por meio de sua assessoria, informou apenas que não possui nenhum programa de demissão, sendo que esse número de 12 mil cortes é, portanto, infundado e que os desligamentos que aconteceram esse ano representam uma saída normal de funcionários.
O HSBC foi o que mais registrou desligamentos em Curitiba (359), porém isso ocorreu em função do fechamento de um setor de renegociação de créditos. Segundo o sindicato da Capital, foram 243 cortes, sendo o restante pedidos de demissão em 2003. Em Londrina, dos 16 desligamentos de funcionários do banco, 13 foram demissões. A assessoria do banco informou que ''não confirma e nem comenta os números dos sindicatos'', afirmando que os números oficiais do HSBC para 2003 são cerca de 250 demissões em todo País (de acordo com os sindicatos foram 256 só em Curitiba e Londrina) e cerca de 1,6 mil novos funcionários contratados. E para 2004, o banco promete continuar admitindo trabalhadores.
O banco Itaú foi o que mais demitiu funcionários em Londrina, com 20 cortes. Em Curitiba foram 223 demissões. A reportagem da Folha procurou o banco para saber as razões dos cortes, porém foi informada, por meio de sua assessoria, que não havia ninguém para comentar o asssunto, no momento.


