Um enterro, seguido por viúvas, órfãos e até o padre ''Quemedo'', no Calçadão de Londrina, chamou ontem a atenção de quem passava pelo local. Não faltaram também a marcha fúnebre e banqueiros com cara de carrascos, distribuindo chicotadas aos empregados. Esta foi a forma bem humorada que o Sindicato dos Bancários encontrou para denunciar as 80 demissões que os bancos efetuaram do início de 2004 até agora em Londrina e Região. Esse número ainda pode saltar para 100 até o final do ano, prevê o presidente da entidade, Geraldo Faustino dos Santos.
De acordo com ele, os sindicatos estão realizando uma campanha nacional contra as demissões, visando melhorar as condições de atendimento e de trabalho. ''Além de famílias sofreram com o desemprego, as demissões atingem o cliente que vai passar a maior parte do tempo nas filas'', argumentou Santos, acrescentando que, no Brasil, as demissões devem chegar a 12 mil até o final de 2004. ''Com isso, os bancos lucram e a população sofre. Não podemos ficar parados diante disso'', afirmou.
O sindicalista informou que na segunda-feira um cliente desmaiou dentro de uma agência por estar muito tempo na fila. ''Nem água tinha para ele tomar. Aliás, os bancos não têm nem banheiros para os clientes'', contou Santos. Segundo ele, o sindicato é favorável ao projeto de lei aprovado na Câmara Municipal que amplia o horário de atendimento ao público das 9 às 17 horas em dois turnos. ''Isso daria mais emprego e um atendimento decente ao cliente''.
Apesar da dura realidade das demissões, o enterro não deixou de provocar risos em quem passou pelo Calçadão. ''Eles estão reivindicnado o que é de direito. As demissões nos bancos e em outros setores são absurdas. É preciso conscientizar as pessoas de que esta é a realidade no Brasil. Esse enterro é uma forma engraçada de chamar a atenção das pessoas, mas o assunto é grave'', observou o técnico em telefonia Luiz Carlos Lopes. Também achou engraçada a encenação teatral dos bancários o agricultor Reginaldo Machado dos Santos. ''Acho que esse tipo de manifestação vale a pena. As pessoas param para ver o que está acontecendo''.

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