Curitiba - Os bancários podem entrar em greve por tempo indeterminado em todo o País a partir de 18 de setembro. No dia 12 deste mês, será realizada uma assembleia para decidir pela paralisação, caso a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) não apresente nenhuma nova proposta de reajuste salarial.
A expectativa dos trabalhadores é que fosse apresentada uma nova proposta ontem por parte dos bancos em uma negociação que aconteceu em São Paulo. Até agora, os bancos ofereceram 6% de reajuste, o que representaria 0,7% de aumento real. Os bancários querem 10,25% de reajuste, o que daria 5% de ganho real. A principal alegação da categoria é que o lucro dos bancos continuou crescendo neste ano.
Segundo informações do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana, até agora, os bancos aceitaram fazer um projeto de segurança bancária em Recife e também concordaram em realizar um novo censo da categoria para verificar a questão de igualdade de oportunidades. O último censo aconteceu em 2008. Os bancários também conseguiram a garantia de salário dos funcionários afastados pelo INSS. Antes, quando o empregado não conseguia marcar uma nova perícia no INSS ficava sem o benefício previdenciário e sem o salário do banco. Agora, as empresas se comprometem a pagar o salário quando ocorrerem situações como estas.
No ano passado, a greve foi de 27 de setembro a 16 de outubro e durou 19 dias. Curitiba e Região Metropolitana hoje contam com 509 agências e o Paraná 1.537. Em Curitiba e Região são 18 mil bancários e no Paraná 30.822.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana, Otávio Dias, disse que o indicativo no Brasil todo é de assembleia no dia 12 de setembro para rejeitar a proposta apresentada pelos bancos e votar por greve por tempo indeterminado. ''Não tenho dúvida que isso vai acontecer, a não ser que apareça uma nova proposta'', afirmou.
Ele lembrou que os bancos têm apresentado bons resultados financeiros independentemente da crise internacional. Ele acredita que as empresas têm condições de melhorar a proposta tanto na questão econômica como na manutenção dos empregos e com redução de demissões. ''É um dos segmentos que mais fatura no País e tem uma rotatividade que não tem tamanho'', disse. Além disso, a categoria cobra mais segurança. Segundo Dias, apenas no primeiro semestre, foram 27 mortes em todo o País que fizeram vítimas como bancários, clientes, usuários, policiais e vigilantes.
O presidente do sindicato comentou ainda que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil têm papel fundamental na redução dos juros. No entanto, segundo ele, os juros reduziram mas o spread bancário continua alto e, quem paga essa rotatividade é a sociedade.
A FOLHA tentou contato com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) por telefone e por e-mail mas não obteve resposta até o fechamento da edição.

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