As agências do Banco Bilbao Viscaya (BBV) -instituição espanhola que adquiriu o maior banco da Bahia, o Econômico- foram alvo das paralisações feitas pelos bancários, ontem, em todo País. Em Curitiba, o Sindicato dos Bancários manteve três agências, dos bairros Juvevê, Portão e Pinheirinho fechadas até as 10 horas. Nos próximos dias, os bancários continuarão a fazer paralisações em outros bancos.
As manifestações fazem parte de uma estratégia para pressionar os banqueiros a aceitar as reivindicações da campanha salarial. Até agora, o maior protesto em Curitiba foi no dia 26, quando foram paradas 24 agências no centro da cidade. Ontem, todos os sindicatos de bancários do Paraná filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e com banco BBV em suas bases pararam as agências. Em Londrina, além das unidades do centro e Tiradentes, o sindicato também fechou o dia todo uma agência do Unibanco. Também pararam agências em Toledo, Umuarama e Apucarana.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, José Daniel Farias, as manifestações vêm contando com o apoio da população e bancários. ''A população está do nosso lado porque nossa campanha aborda também temas como o fim das filas, aumento no horário de atendimento e o Código de Defesa dos Clientes'', diz.
Os bancários reivindicam reajuste de 20,46% (4,1% de produtividade, 8,3% de inflação dos últimos 12 meses e as perdas inflacionárias desde o Plano Real). Em quatro rodadas de negociação, os banqueiros só propuseram um reajuste de 4%, rejeitado pelos bancários. ''Essa proposta é inaceitável. Não cobre nem os 8% de inflação dos últimos 12 meses'', diz Farias.
Estudos do Dieese mostram que a maioria dos negociações feitas no primeiro semestre resultou em reajustes salariais iguais ou superiores ao índice inflacionário do período. Na indústria, por exemplo, 50% dos acordos ficaram acima da inflação e 40% iguais. No comércio, 79% fecharam com índice igual à inflação e 21% acima; na agricultura, 98% fecharam com o repasse do índice inflacionário. ''Não dá para admitir que o setor financeiro, que mais teve lucros, não queira nem ao menos repor a inflação. Se os bancos não cederem, os bancários estão dispostos a fazer uma greve geral'', alerta Farias.

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