Bancários iniciam greve na terça-feira
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
A quinta rodada de negociação entre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), realizada ontem em São Paulo, acabou sem acordo e boa parte da categoria irá deflagrar greve nacional a partir da próxima terça-feira. A proposta das instituições financeiras foi de um reajuste de 8%, apenas 0,2% maior do que ofertado na quarta rodada. O Comando dos Bancários, que vislumbra o aumento de 12,8% nos salários dos trabalhadores, recusou a oferta ainda na mesa de negociações e já organiza a estruturação do movimento grevista nos próximos três dias.
Durante as assembleias ocorridas em diversas cidades do País na última quinta, os bancários aprovaram o indicativo da paralisação nacional. Neste primeiro momento, 16 estados já estão envolvidos no movimento. No Paraná, Curitiba, Londrina e mais seis cidades (veja no quadro) já confirmaram participação na greve, que não tem prazo para acabar. Na segunda-feira, voltam a acontecer assembleias em todo o País com o intuito de organizar as próximas etapas da paralisação.
Em Londrina, cerca de 170 trabalhadores de diversas instituições financeiras participaram da última reunião. A expectativa é que a greve seja ainda mais intensa em comparação com a que aconteceu em outubro do ano passado, considerada a mais forte realizada pela categoria dos últimos 20 anos. ''Esta confirmada a greve a partir do dia 27. A Fenaban quis zombar da nossa cara aumentando em apenas 0,2% o reajuste salarial em relação a última negociação. Agora vamos nos reunir novamente na segunda-feira para estruturar e fortalecer o movimento'', sentenciou Wanderley Crivellari, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina.
Além da categoria exigir um reajuste de 12,8% (inflação do período mais aumento real de 5%), os bancários buscam maior participação nos lucros (três salários mais R$ 4,5 mil), valorização do piso para R$ 2,29 mil, fim da rotatividade, mais contratações, fim das metas abusivas, combate ao assédio moral, mais segurança, igualdade de oportunidades e inclusão bancária sem precarização.
Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários, ressaltou que desde o início do processo a classe apostou na negociação, principalmente depois que a Fenaban sugeriu uma nova reunião. ''Com essa nova proposta de hoje (ontem), vamos intensificar a mobilização da categoria em todo o País para realizar uma greve ainda mais forte, a fim de arrancar dos bancos uma proposta decente.''
Até o fechamento desta edição, a Fenaban não havia se manifestado sobre a decisão da greve ou sobre a possibilidade de uma nova proposta. A FOLHA entrou em contato diversas vezes com a assessoria de imprensa da entidade, mas ninguém atendeu as ligações.


