Bancários iniciam campanha e criticam a venda do Banestado
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quarta-feira, 13 de setembro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
No início da campanha salarial da categoria no Paraná, os bancários entregaram ontem à Procuradoria Geral da República um abaixo assinado com 70 mil adesões obtidas no Estado contra a privatização do Banestado. Junto com o documento foi protocolado um pedido para que o Ministério Público trabalhe para agilizar o julgamento de ações judiciais que tentam impedir a realização do leilão de venda, marcado para o dia 17 de outubro, na Bolsa de Valores do Paraná.
O Sindicato dos Bancários reclama da morosidade da Justiça, que até agora não julgou os mandados de segurança que foram ajuizados pela entidade. Hoje pela manhã, a Procuradoria Geral de Justiça vai reunir promotores estaduais com os sindicalistas para que eles possam conhecer melhor a privatização do Banestado.
A entrega dos documentos no Ministério Público foi precedida por uma manifestação pública que começou no Centro Cívico. Um grupo de aproximadamente 200 pessoas fez uma pequena passeata até o prédio da Promotoria, onde convocaram a população para participar. Para chamar a atenção, o Sindicato dos Bancários levou um carro de som e uma gaiola estampada com desenhos do juiz foragido Nicolau dos Santos Neto e do governador Jaime Lerner. A intenção era atrelar as duas imagens, insinuando que houve irregularidades no Banestado.
O tom político acabou prevalecendo durante o protesto. No começo do governo Lerner, ele dizia que o Banestado era o melhor banco estadual do País. E agora?, questionava o presidente do Sindicato dos Bancários, José Daniel de Farias. Os sindicalistas reclamam ainda do preço mínimo de venda do Banestado, que será de R$ 434 milhões, enquanto foram necessários R$ 5,8 bilhões para saneá-lo. Disseram ainda que o banco que comprar o Banestado levará de brinde 25% da Copel, pois o Estado tem ações da companhia de energia caucionando títulos públicos comprados dos Estados de Santa Catarina, Pernambuco e de cidades como Osasco.
Data-basePela manhã os bancários fizeram protesto em frente à agência do Bradesco no centro de Curitiba. A manifestação fez parte da campanha salarial dos bancários que têm data-base neste mês. Os sindicalistas atrasaram a abertura da agência em uma hora. Colocaram faixas e cartazes chamando atenção para suas reivindicações salariais e para as negociações que estão sendo feitas com a Federação Nacional dos Bancos. O plano é fazer uma série de manifestações cada dia num banco diferente.
Em Londrina, não houve mobilização ontem mas o sindicato local está em estado de greve. Caso a categoria não consiga garantir seis cláusulas consideradas prioritárias no próximo acordo coletivo, que tem prazo para ser assinado até dia 20 deste mês, cerca de 10 mil bancários do Banestado vão entrar em greve a partir do dia 21.
(Colaborou Cláudia Lopes).


