Bancários fazem assembléia e podem deflagrar greve
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terça-feira, 02 de setembro de 2003
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Bancários de todo o País reúnem-se em São Paulo, dia 19 de setembro, para discutir em assembléia a possibilidade de deflagrar movimento de greve. Eles reivindicam reajuste salarial de 21,58%, relativos a perdas com inflação ocorridas nos últimos oito anos. A ameaça de paralisação foi feita ontem, durante manifestação no Calçadão de Londrina, que lembrou o Dia do Cliente Bancário. A data foi incluída no calendário de luta da categoria.
Durante a manifestação, organizada pelo Sindicato dos Bancários de Londrina e Região, foram entregues à população folhetos com explicações sobre os direitos dos clientes de bancos e informações sobre os juros abusivos e grandes filas para atendimento. ''Se a intransigência dos banqueiros quanto à negociação de reajuste salarial continuar, com certeza teremos paralisação'', afirmou o presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região, Geraldo Fausto dos Santos.
O presidente da entidade, que atualmente registra cerca de 2.100 bancários ativos em Londrina e mais 26 municípios da região (1.850 deles sindicalizados), conta que em 1985 o número de funcionários de bancos na área de abrangência do sindicato era quatro vezes maior. Somente o Itaú seria o responsável pela demissão de 500 funcionários nos últimos dois anos, segundo o sindicato. ''Mas as políticas de busca de lucros à base de chicote promovida pelos bancos está acabando com a classe'', afirma o presidente. ''Pelo que me parece, os banqueiros não entendem que a melhoria dos serviços só será alcançada com a promoção de contratações''.
Segundo informações do sindicato, o lucro dos cinco maiores bancos do País no primeiro semestre foi superior a R$ 7 bilhões. Além disso, os bancos seriam capazes de cobrir com folgas as despesas com folha de pagamento e manutenção administrativa somente com a cobrança de taxas de serviço. ''Mesmo assim, os bancos se negam a reajustar nossos salários de acordo com a inflação'', diz. De acordo com Fausto dos Santos, a proposta apresentada pelos bancários, de reajuste de 21,58%, foi recusada pela Federação Nacional dos Bancos (Febraban). ''Alguns bancos privados sugeriram reposição de 10%. Mas os bancos federais (Caixa e Banco do Brasil) sequer se manifestaram''.
Nos folhetos entregues ontem à população, foram destacadas duas leis, de âmbito municipal e estadual, que proíbem os bancos de obrigar o público a aguardar atendimento por mais de 30 minutos em filas.
Segundo o coordenador municipal do Procon, Gerson da Silva, em agosto foram registradas 30 queixas contra bancos.


