Em assembléia realizada ontem à noite os bancários de Londrina decidiram encerrar a greve que já durava quatro dias úteis. A categoria aceitou a proposta apresentada pelos patrões de reajuste de 3,5% sobre a folha de agosto e hoje já retorna ao trabalho normalmente. O percentual ficou bem abaixo dos 7,05% pedidos no início das negociações, há 60 dias, mas foi considerado satisfatório porque representou um mínimo de ganho real aos trabalhadores.
A proposta feita pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) foi aceita sem empolgação. Por outro lado, apenas 61 bancários votaram pela continuidade da greve. Nenhum dos presentes se absteve de votar. A categoria ainda votaria na mesma assembléia questões específicas dos servidores do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal e pontos da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de funcionários de bancos privados classificados como ''vantajosos''.
O diretor do Sindicato dos Bancários de Londrina, Paulo Lima, apontou que o índice apresentado pelos bancos foi positivo porque representou ganho real aos trabalhadores de 0,65%, pois o INPC nos últimos 12 meses ficou em 2,85%. ''Não foi a proposta dos nossos sonhos mas foi a proposta possível'', observou o sindicalista. Ele explicou, no entanto, que a aceitação da proposta não encerra a negociação, uma vez que a categoria permanece em assembléia permanente.
O diretor sindical considerou que o movimento grevista cumpriu seu papel na medida em que gerou uma mobilização de 60% da categoria (1,1 mil trabalhadores). Ele lembrou ainda que os bancários garantiram o pagamento dos aposentados, permitiram o acesso aos caixas eletrônicos e mantiveram a compensação de cheques. Como pontos negativos, Lima destacou os tumultos que aconteceram em uma agência de um banco privado no Calçadão, ''por conta da repressão usada contra funcionários'', e as ações ingressadas na Justiça que visavam a manutenção da posse das agências.
Curitiba - Os bancários de Curitiba também decidiram voltar ao trabalho hoje. A decisão foi tomada em assembléia realizada ontem à noite na Capital e contou com a participação de 930 funcionários. Além da proposta de 3,5% de reajuste salarial, eles aprovaram antecipação de 100% da regra básica da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A regra estabelece o pagamento de 80% do valor do salário mais R$ 826. A assembléia teve apenas 14 votos contrários e 7 abstenções.
O secretário geral do sindicato, José Paulo Staub, disse que o conjunto da proposta foi bom porque os bancários da Caixa Econômica Federal tiveram conquistas e no Banco do Brasil a menor PLR a ser paga é de R$ 3.400.
Os bancários começaram o movimento com paralisações em alguns estados desde 26 de setembro. Em 2004, os bancários fizeram 28 dias de greve e, no ano passado, três. Em 2004, os trabalhadores conseguiram 8,5% de reajuste e, em 2005, 6%.

mockup