Curitiba - Os bancários discutem hoje, na sede da Confederação Nacional dos Bancários (CNB), em São Paulo, o futuro da greve no Brasil. Participam da reunião, sindicalistas das principais capitais brasileiras. Existe um indicativo de avaliação do movimento grevista depois dos interditos proibitórios que começaram a pipocar na semana passada em vários estados brasileiros. No Paraná, conseguiram interditos proibitórios da presença de sindicalistas num raio de 50 metros das agências, os bancos HSBC, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil (BB).
Mesmo com as primeiras decisões judiciais, a greve atingia até sexta-feira 311 agências da rede bancária do Estado. ''A gente entende que há um desgaste com relação à população e a categoria tem sido constrangida com a paralisação. O direito de greve não está sendo respeitado e as negociações não estão fluindo. Temos que adotar estratégias eficazes para colocarmos realmente nossas necessidades na mesa de negociações'', pontuou Marisa Stedile, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana.
Existem dois caminhos: endurecer a greve, fechando inclusive os caixas eletrônicos ou voltar ao trabalho com a sinalização de abertura de negociação com o governo federal e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Marisa Stedile descartou ontem a possibilidade de os bancários entrarem na Justiça contra os interditos proibitórios já concedidos. ''Não ganhamos quando entramos com recursos no Tribunal Superior do Trabalho (TRT). Em hipótese alguma essa possibilidade será concretizada. Vamos buscar outras soluções'', disse ela.
A sindicalista é a representante do Paraná na reunião de hoje em São Paulo. Aderiram a greve dos bancários no Paraná os municípios de Curitiba, Londrina, Paranavaí, Toledo, Cornélio Procópio, Campo Mourão, Apucarana, Umuarama e Arapoti (149 quilômetros ao sul de Jacarezinho). Dos 17 mil bancários do Estado, a expectativa é que perto de 6 mil tenham aderido à paralisação.
Os bancários pedem um reajuste salarial de 25% nos bancos privados, participação nos lucros e resultados e adicional de R$ 1,2 mil para todos os funcionários. Para os bancos públicos, a reivindicação engloba perdas desde 1994. Os bancos ofereceram um aumento de 8,5% sobre os salários pagos em agosto e 80% de um salário como participação nos lucros.

mockup