Bancários denunciam pressão para PDV
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de março de 2001
Rosana Félix De Curitiba 
O Sindicato dos Bancários de Curitiba e a Federação dos Bancários da Central Única dos Trabalhadores (Fetec) anunciaram ontem que a direção do Itaú/Banestado está fazendo pressão psicológica nos funcionários para que eles entrem no Programa de Desligamento Voluntário (PDV). De acordo com o presidente do sindicato, José Daniel Farias, vários empregados do Banestado fizeram essa queixa.
Alguém liga para a casa do funcionário, dizendo que é melhor entrar no PDV ou então será demitido. Ou então dizem que alguns setores vão para São Paulo, e quem não quiser que entre no PDV, garantiu. Segundo Farias, a pressão teria começado na semana passada. O Itaú fez essa pressão porque a adesão ao PDV estava baixa, argumentou.
O diretor de Relações Institucionais do Itaú/Banestado, Aldous Galletti, rebateu as acusações. A direção do banco não autorizou, não praticou e não orientou nada dessa natureza, disse. O PDV foi colocado aos funcionários depois de vários pedidos e ajustes propostos pelo sindicato. Desde o primeiro dia de vigência, o banco fez questão de deixar claro a todos a livre adesão, disse Galletti.
Para comprovar as pressões, o sindicato e a Fetec também divulgaram ontem o resultado de uma pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) sobre o perfil dos funcionários demitidos do Banestado em todo o Brasil. Desde a privatização do banco, em outubro do ano passado, até a implantação do PDV, no dia 5 deste mês, 625 pessoas foram desligadas do banco. Galletti afirmou que desse número, cerca de metade é de pessoas que pediram demissão e a outra parte de funcionários demitidos. Não é justo falar que todos foram demitidos.
A pesquisa mostra que 76% das demissões envolvem funcionários de 10 a 20 anos de tempo de serviço na empresa, enquanto os com menos de dez anos representaram apenas 4%. Os 20% restantes dizem respeito aos funcionários que estão em fase de aposentadoria. Além disso, a maior parte (38%) pertencia a faixa etária entre 36 a 40 anos. Para o sindicato, isso demonstra que o banco está interessado em demitir aqueles que possuem mais tempo de casa e os maiores salários. O banco se defende dizendo que como o quadro funcional da instituição tinha uma média de idade alta, é natural que a maioria dos desligamentos ocorra nessa faixa.


