Clientes da Caixa Econômica Federal (CEF) que foram às agências Carlos Gomes e Zacarias, no Centro de Curitiba, ontem de manhã, foram surpreendidos com a presença de ciganos, magos, feiticeiras e pais-de-santo que insistiam em mostrar, pela leitura de mãos e búzios, que a única maneira de escapar de longas filas de espera seria brigando pelos seus direitos de ser atendido. Os ‘‘bruxos’’, na verdade, faziam parte de uma bem-humorada manifestação promovida pelo Sindicato dos Bancários de Curitiba, em protesto contra a postura da direção do banco na campanha salarial da categoria.
Atos semelhantes aconteceram em várias cidades do País. Em Londrina, a manifestação aconteceu na agência Ouro Verde, próximo ao Terminal Urbano. A intenção das manifestações era mostrar à população a situação dos funcionários. Segundo o diretor do sindicato e presidente da Federação Cutista dos Bancários no Paraná (Fetec/CUT/PR), Ivo Luska, os salários na Caixa estão congelados há seis anos. Este ano, os bancários da rede privada já acordaram com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) um reajuste de 7,2%. No Banco do Brasil, onde os funcionários também estavam sem aumento, foi fechado acordo prevendo reajuste de 1,7% mais um abono de R$ 2,5 mil.
Para sensibilizar a população, o sindicato distribuiu panfletos denunciando uma prática adotada pela direção da Caixa. A empresa está implantando um projeto chamado segmentação, no qual divide os clientes em três grupos, de acordo com a renda mensal. Quem ganha abaixo de R$ 1,5 mil, segundo Luska, sequer consegue chegar aos caixas. São logo orientados a ir para o auto-tendimento ou pagar as contas em casas lotéricas. ‘‘Isso é discriminação e é contra a lei’’, avisavam os bancários à população, orientando-a a denunciar a prática aos órgãos de proteção ao consumidor. A denúncia é confirmada pelo presidente do sindicato de Londrina, José Francisco da Silva.

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