Bancários contestam acordo do HSBC
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quinta-feira, 18 de junho de 1998
Vânia Casado 
Nova onda de fechamento de agências do HSBC Bamerindus e demissão de funcionários faz com que a Federação dos Bancários do Paraná coloque em dúvida o contrato firmado entre o banco e o Banco Central, em março de 1997. Isso porque segundo a entidade, o perfil das demissões, a partir de março de 1998, revela que estão perdendo o emprego funcionários com cargo gerencial que têm mais anos de casa e cujas rescisões trabalhistas demandam maiores valores. Coincidentemente nessa mesma época o BC transferiu ao HSBC mais de R$ 410 milhões para supostamente efetuar pagamentos de ações remanescentes do Bamerindus, afirmou Adilson Stuzata, diretor da Federação dos Bancários do Paraná.
Diante desse indício de que o Banco Central está bancando as rescisões trabalhistas atuais, depois de todo o processo de enxugamento que o banco já passou antes de ser transferido para o grupo inglês, a Federação vai entrar com uma ação no Ministério Público, afirmou Stuzata. Segundo ele, o contrato com o BC ainda permanece sob sigilo e muitas decisões estão sendo adotadas para agravar o desemprego e talvez financiadas com dinheiro público, acusou.
A partir de um levantamento feito pelo Dieese - Subseção Fetec/PR realizada entre os funcionários das agências no Paraná, Rio de Janeiro e na cidade de Belo Horizonte, a Comissão de Empresa estima que mais de 1,5 mil trabalhadores já tenham sido demitidos nos últimos seis meses. Stuzata explicou que essa pesquisa foi feita via Internet e revelou que as demissões se acentuaram desde março desse ano. Ele ressalta que antes dessa nova onda de demissões, o banco já havia demitido 5.177 funcionários antes de ser transferio ao grupo inglês.
Além disso, a comissão constatou que 200 agências foram fechadas neste primeiro semestre. Segundo Stuzata, só no estado de Tocantins, que tinha 40 agências, foram fechadas 35. No Paraná, a Federação dos Bancários calcula que pelo menos sete municípios ficarão sem as agências do HSBC Bamerindus.
A Federação dos Bancários constatou ainda a insatisfação dos funcionários com o ambiente de trabalho, que segundo eles, piorou muito neste período, com a pressão e o controle sobre o trabalho realizado. Conforme a pesquisa, os funcionários estão se sentindo inseguros no emprego. A diretoria do HSBC Bamerindus foi procurada para comentar a pesquisa, mas afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que não iria se pronunciar.


