BANCÁRIOS - Greve começa com 60% de adesão em Londrina
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terça-feira, 21 de setembro de 2004
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
O primeiro dia de greve dos bancários, em Londrina, foi relativamente tranquilo. De acordo com o sindicato da categoria, cerca de 60% dos funcionários aderiu ao movimento na base que inclui mais 25 municípios. Ontem, as pessoas que necessitaram de algum serviço bancário puderam utilizar os caixas eletrônicos e as casas lotéricas e, em última instância, circularam pela cidade em busca de alguma agência aberta. O depósito é a única operação que as máquinas não estão realizando e, por isso, o cuidado no transporte de dinheiro deve ser redobrado.
Segundo o coronel Manoel da Cruz Neto, comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), o policiamento foi reforçado nas principais vias públicas e na área central desde a semana passada e permanecerá até terminar a paralisação.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval) Uzier de Carvalho está preocupado com o pagamento de juros que, porventura, sejam acrescidos às contas que não forem pagas. ''Isto seria uma falta de consideração com a parcela da população que realmente produz neste País'', desabafou Carvalho que também criticou a sugestão de usar a internet ''porque nem todos têm acesso a ela''.
Nas casas lotéricas o movimento aumentou 20% com à possibildiade de quitar qualquer boleto no valor máximo de R$ 300 (desde que esteja dentro do vencimento), contas públicas (água, luz, telefone) e contas da Caixa Econômica Federal de até R$ 1 mil. Apenas os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (Darfs) e o Imposto de Propriedade de Veículo Automotor (IPVA) não são recebidos nesses estabelecimentos. De acordo com Miguel Turcatto, presidente do Sindicato dos Lotéricos do Paraná, seus associados estão preparados para atender o crescimento na demanda e evitar roubos. ''O risco é pequeno porque a quantidade de saques é muito grande. Na verdade, está faltando dinheiro nas lotéricas. Mesmo assim, dispomos de carros-fortes e vigilantes para garantir nossa segurança e dos clientes'', afirmou.
Na opinião de Maria Iwassa, gerente de uma joalheria do Calçadão, ontem o dia foi de dúvidas. Ela mesma não sabia o que fazer com cheques e duplicatas a vencer. ''Precisamos dos bancos diariamente e não podemos aguentar essa situação por mais de três dias'', disse. Para Donizete Santiago, gerente de uma lanchonete na Avenida São Paulo, a greve dos bancários diminuiu o movimento no estabelecimento que, assim como todo o comércio, beneficia-se da atração exercida pelos bancos. Para Adilma Dantas, gerente de farmácia, a paralisação já está provocando transtornos. ''Algumas contas não podem ser pagas em caixas eletrônicos ou lotéricas e isso cria um problema para nós. Na minha opinião, é preciso encontrar outro meio para reivindicar aumento de salário'', concluiu.


