A bancária Neusa Maria Ribeiro Martins, hoje com 54, parou de trabalhar há três anos. Ela diz não ter planejado a aposentadoria porque não pensava em requerê-la tão cedo. "Queria fazer carreira no banco. Não imaginava que iria querer parar de trabalhar", conta. Em 2010, mudou-se de Londrina depois de nomeada gerente adjunta numa cidade da região. Depois foi gerente em outra cidade.
Poucos anos foram suficientes para ela mudar de ideia. Em 2014 já havia decidido se aposentar, o que de fato aconteceu um ano depois, perto de completar 33 anos no Banco do Brasil. "Aquele sonho (de fazer carreira) de repente não estava mais dentro de mim", revela.
Apesar de não ter planejado a aposentadoria, ela se organizou na hora de parar de trabalhar. Sabendo que passaria a ter uma renda mais baixa, cortou 20% de suas despesas. E deu conta de pagar a prestação do apartamento e o casamento da filha. Ainda jovem, Neusa Martins não sentiu aumento das despesas. E ainda prevê mais folga no orçamento daqui a três anos, quando quitar o imóvel."
Já a professora Cacilda Bazoni tem mais tempo como aposentada. "Já faz uns 20 anos", diz. Ela conta que aos 72 anos já sentiu no bolso o aumento de despesas com medicações. "A gente vai tomando um dois, três, quatro remédios. Ainda bem que alguns deles a gente consegue no SUS", explica ela reclamando que a aposentadoria está congelada pelo governo do Estado há quatro anos.
Superintendente da Anbima, Ana Leoni diz que o planejamento da aposentadoria deve se dar em toda a vida profissional, desde o primeiro emprego. Poupar para o futuro é uma necessidade crescente, tendo em vista a situação da Previdência Social. "As pessoas hoje estão querendo aposentar entre 60 e 69 anos. Mas só começam a se preocupar com isso aos 35 ou 40 anos. Já é um início tardio", avalia. Ela ressalta que, quanto antes começar a guardar dinheiro, menos esforço terá de fazer a pessoa. "Mas apenas 9% dos brasileiros fizeram investimentos financeiros em 2017", conta.
De acordo com a superintendente, o aumento de despesas dos aposentados não ocorre apenas devido aos gastos com saúde provocados pelo envelhecimento. "Quanto mais tempo livre a pessoa tem, mais procura lazer e consequentemente mais gasta", alega.
A representante da Anbima também afirma que o fato de as pessoas pensarem em se aposentar mais tarde não está relacionado somente à reforma da Previdência. "Como estão vivendo mais, estão ressignificando o trabalho como forma prolongada de socialização. Elas têm um bom capital intelectual e é saudável que ele seja usado." (N.B.)

mockup