Bamerindus leiloará mais duas empresas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de março de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
O Banco Bamerindus em liquidação extrajudicial colocará em leilão mais duas empresas que pertenciam ao grupo. São as empresas Nordeste Florestal e Agrícola S.A. e a Nova Esperança Serviços S/C. Elas serão vendidas no próximo dia 31 de março às 10h45, em São Paulo. Os acionistas minoritários e os advogados que os representam começaram ontem a estudar como foram feitas as avaliações e definição do preço mínimo para definir se há margem de contestação judicial da venda.
A empresa Nordeste Florestal e Agrícola vai a leilão pelo preço mínimo de R$ 2,58 milhões, enquanto que a Nova Esperança foi avaliada em R$ 1,275 milhão. As duas serão leiloadas em lote único e indivisível. O leiloeiro oficial é Mauro Zukerman.
Os acionistas minoritários temem que o leilão possa representar mais uma dilapidação dos ativos do Bamerindus, banco que sofreu intervenção do Banco Central em março de 1997. O advogado dos pequenos investidores James Marins lembra que, recentemente, o liquidante do Bamerindus leiloou cerca de 400 imóveis do banco sem que houvesse avaliação e preço mínimo definidos de maneira correta. Fizeram um trabalho muito mal feito. Os 400 imóveis foram avaliados em menos de 40 dias, o que é impossível, afirmou Marins. O valor deles ficou em torno de R$ 150 milhões, mas poderia ter chegado ao dobro, conforme avaliação dos minoritários.
Avaliação feita pelo escritório de advocacia em alguns imóveis do Bamerindus chegou a dar diferença de 50% até 100% no preço definido pelo liquidante Sérgio Rodrigues Prates. Essa discrepância nos números fez com que os minoritários entrassem com uma ação na Justiça, para questionar os valores. Já houve liminares que beneficiaram os acionistas. O maior problema é que os imóveis foram vendidos e estão com os novos donos.
Desta vez, o liquidante do Bamerindus fez uma avaliação e colocou um preço mínimo para os dois ativos. O dinheiro obtido com os leilões se destina a pagar os credores do Bamerindus. O Banco Central é o principal credor, pois foi quem injetou recursos do Programa de Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer) no Bamerindus.


