Balanços mostram queda na lucratividade dos bancos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de julho de 1998
Agência Estado 
A amostra das 12 instituições financeiras que já divulgaram seus balanços relativos ao primeiro semestre de 1998 revela queda na lucratividade, aumento na provisão para perdas com empréstimos e até mesmo prejuízos na atividade bancária. É o que constata pesquisa realizada pela consultoria Austin Asis. Segundo Erivelto Rodrigues, diretor da consultoria, o caso exemplar foi o do Bradesco - o maior banco privado do país - que teve prejuízo em sua atividade bancária compensado com ganhos em coligadas e controladas: empresas de seguros, previdência privada, títulos de capitalização.
O resultado das coligadas do Bradesco passou de US$ 264,6 milhões no primeiro semestre de 1997 para US$ 469,5 milhões no primeiro semestre de 1998. O lucro líquido do Bradesco caiu de US$ 401,5 milhões no balanço do primeiro semestre de 1997 para US$ 372,2 milhões no mesmo período deste ano. Isso significa que o prejuízo na atividade do banco comercial por parte do Bradesco foi compensado com o lucro obtido nas outras empresas do conglomerado financeiro, diz Rodrigues.
O consultor entende que o lucro dos bancos deve fechar o ano com queda de 10% dada a expectativa de maior competitividade com a entrada de instituições estrangeiras no mercado. Os primeiros 12 bancos que divulgaram seus balanços semestrais já apontam ligeira queda em sua lucratividade em relação ao mesmo período do ano passado. A maior competitividade no setor bancário deve ampliar a oferta de produtos de qualidade elevada, melhor atendimento aos clientes e tarifas menores, afirma.
A média de rentabilidade - lucro líquido (saldo positivo) sobre patrimônio líquido (recursos próprios) dos 12 bancos que acabaram de publicar seus balanços - caiu de 15,47% no primeiro semestre de 1997 para 15,38% no mesmo período deste ano, segundo dados da consultoria Austin Asis. O Bradesco reduziu sua lucratividade de 15,5% anualizada no primeiro semestre de 1997 para 14,08% no mesmo período deste ano. A instituição seguiu uma tendência do sistema financeiro ao ampliar as provisões para perdas com devedores duvidosos, por causa do aumento na inadimplência (atraso no pagamento das prestações) nos empréstimos.
O peso da instituição na amostra analisada é expressivo, já que os 12 bancos registraram aumento total na provisão contra perdas com empréstimos de US$ 184 milhões no primeiro semestre de 1997 para US$ 666 milhões no mesmo período deste ano. Foram avaliados os balanços dos seguintes bancos: Bradesco; BCN; Bozano, Simonsen; BBA; Finasa; Meridional; Icatu; Rural; Multibanco; Industrial; BR Mercantil e Marka.


