A amostra das 12 instituições financeiras que já divulgaram seus balanços relativos ao primeiro semestre de 1998 revela queda na lucratividade, aumento na provisão para perdas com empréstimos e até mesmo prejuízos na atividade bancária. É o que constata pesquisa realizada pela consultoria Austin Asis. Segundo Erivelto Rodrigues, diretor da consultoria, o caso exemplar foi o do Bradesco - o maior banco privado do país - ‘‘que teve prejuízo em sua atividade bancária compensado com ganhos em coligadas e controladas: empresas de seguros, previdência privada, títulos de capitalização’’.
O resultado das coligadas do Bradesco passou de US$ 264,6 milhões no primeiro semestre de 1997 para US$ 469,5 milhões no primeiro semestre de 1998. O lucro líquido do Bradesco caiu de US$ 401,5 milhões no balanço do primeiro semestre de 1997 para US$ 372,2 milhões no mesmo período deste ano. ‘‘Isso significa que o prejuízo na atividade do banco comercial por parte do Bradesco foi compensado com o lucro obtido nas outras empresas do conglomerado financeiro’’, diz Rodrigues.
O consultor entende que o lucro dos bancos deve fechar o ano com queda de 10% dada a expectativa de maior competitividade com a entrada de instituições estrangeiras no mercado. Os primeiros 12 bancos que divulgaram seus balanços semestrais já apontam ligeira queda em sua lucratividade em relação ao mesmo período do ano passado. ‘‘A maior competitividade no setor bancário deve ampliar a oferta de produtos de qualidade elevada, melhor atendimento aos clientes e tarifas menores’’, afirma.
A média de rentabilidade - lucro líquido (saldo positivo) sobre patrimônio líquido (recursos próprios) dos 12 bancos que acabaram de publicar seus balanços - caiu de 15,47% no primeiro semestre de 1997 para 15,38% no mesmo período deste ano, segundo dados da consultoria Austin Asis. O Bradesco reduziu sua lucratividade de 15,5% anualizada no primeiro semestre de 1997 para 14,08% no mesmo período deste ano. A instituição seguiu uma tendência do sistema financeiro ao ampliar as provisões para perdas com devedores duvidosos, por causa do aumento na inadimplência (atraso no pagamento das prestações) nos empréstimos.
O peso da instituição na amostra analisada é expressivo, já que os 12 bancos registraram aumento total na provisão contra perdas com empréstimos de US$ 184 milhões no primeiro semestre de 1997 para US$ 666 milhões no mesmo período deste ano. Foram avaliados os balanços dos seguintes bancos: Bradesco; BCN; Bozano, Simonsen; BBA; Finasa; Meridional; Icatu; Rural; Multibanco; Industrial; BR Mercantil e Marka.

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