q Inflação ‘‘Para 96 todos os índices acusam inflação inferior a 10%. A única exceção deve ser a Fipe. Este resultado é inédito. Desde 1957 a economia não apresentava índices tão baixos. As previsões dos analistas são de uma inflação média de 7% em 1997. Serão dois anos consecutivos de inflação média inferior a 10%. Isto só aconteceu em 1951 e 1952. A inflação sob controle é medida de justiça social porque elevou o poder de compra de alimentos e bens de consumo para milhões de brasileiros. Não vamos abrir mão de uma inflação sob controle, da desindexação da economia’’.
q Crescimento ‘‘Não existe incompatibilidade entre inflação baixa e crescimento econômico. Basta observar a experiência de países como México, com um crescimento de 7% do PIB, a Argentina, de 4,4% do PIB, o Brasil no ano passado fechou em 4,2% do PIB e este ano deve chegar a 3% do PIB e, para o ano que vem, a estimativa é de 4,5% do PIB, embora eu ache que está mais perto dos 5% do PIB. Para 98, a estimativa é de um crescimento de 4,5% do PIB. O nome do jogo é continuar criando condições para que o crescimento se consolide. Ao mesmo tempo, vamos evitar o repasse de aumento de preços, reduzir o custo Brasil e manter os investimentos na educação’’.
q Contas externas Malan divulgou os números das contas externas até novembro com reservas cambiais, no conceito de liquidez, de US$ 60,4 bilhões e de US$ 59,2 bilhões no conceito de caixa. O déficit em conta corrente está em R$ 19,3 bilhões, ou 2,83% do PIB.
q Contas correntes Malan não considera elevado o déficit em conta corrente de 2,83% do PIB. ‘‘Não é de forma alguma elevado para qualquer padrão internacional’’, comentou, quando citou o último relatório do FMI com uma análise de 40 mercados. ‘‘Existem números de déficits que vão de 3% do PIB a 9% do PIB. Portanto, 2,83% do PIB não preocupa porque não é um número alto e está sendo financiado’’. Malan disse que alguns economistas falam de um déficit comercial em 97 entre US$ 4 bilhões e US$ 8 bilhões. ‘‘Não estou preocupado com isso’’, insistiu, informando que a previsão para 97 é de um PIB de US$ 800 bilhões, ‘‘que suportaria com facilidade um déficit na conta de comércio de 1% do PIB, como estimam os analistas’’. Malan chamou atenção para o fato de que com os cerca de US$ 7,7 bilhões de investimentos externos que ingressaram até novembro, 40% do déficit já está financiado.
q Câmbio Malan descartou mudanças na política cambial ou mesmo uma correção na taxa de câmbio para fazer frente aos problemas das contas externas. Segundo ele, quem se preocupa com o crescimento do déficit em conta corrente em 97, que é decorrente do excesso de investimentos externos na economia, deveria estar preocupado é com o aumento da poupança doméstica. ‘‘A melhor maneira de responder a este déficit é com o aumento da poupança privada e com a redução da despoupança do setor público e não apelar ao protecionismo ou maxidesvalorizações’’.
q Importações x Exportações O ministro se referiu a uma discussão, semana passada, com o ex-presidente do Banco Central, Ibrahim Eris, sobre o atual coeficiente das importações em relação ao PIB, atualmente em 7%. ‘‘Não é uma relação alta, porque indica que 93% dos bens são produzidos no País. Nós queremos expandir as importações e as exportações.’’ Malan disse estar confiante de que os exportadores responderão às medidas de estímulos, como a desoneração do ICMS, com maior impacto a partir de março com a entrada da safra agrícola, a linha de crédito do BNDES, a regulamentação do seguro de crédito, as linhas do Proex e as medidas de redução do custo Brasil.
q Desemprego Malan lamentou ‘‘o drama pessoal’’ daqueles que enfrentam o desemprego e ponderou que as análises, muitas vezes, estão localizadas e não com uma visão mais global do problema. Garantiu, no entanto, que o objetivo final do governo é a ‘‘melhoria das condições de vida da população’’ e que é obrigação do governo combater a inflação e resolver outros problemas que surgem no dia-a-dia da administração pública. ‘‘Isso não se faz em um estalar de dedos. Quem diz que é possível fazer num estalar de dedos ou é charlatão ou demagogo. O juiz é o povo’’, afirmou.

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