Balanço de juros do governo Lula é positivo
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sábado, 24 de abril de 2010
Fernando Nakagawa<br>Agência Estado 
Brasília - Se confirmada a alta do juro na quarta-feira, esse será o início da terceira rodada de aperto monetário conduzida exclusivamente pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar dessa provável alta, o balanço do atual governo nos juros é positivo: a Selic acumula queda de 16,25 pontos nos sete anos e três meses do governo, de 25% para os atuais 8,75%.
Quando Lula começou o governo em 1º de janeiro de 2003, a Selic estava em 25% ao ano e o Brasil ainda sofria com a crise do ano anterior, quando as eleições fizeram o mercado entrar em parafuso com o temor de mudança na política econômica.
Após altas nas duas ultimas reuniões do BC no governo anterior, Henrique Meirelles continuou o ciclo e subiu o juro nas duas primeiras reuniões do governo Lula. A postura foi importante para reconquistar a confiança do mercado, o que permitiu iniciar a primeira sequência de queda do juro poucos meses depois, em junho.
Em 2004, com a economia a todo vapor, os preços começaram a subir e o Comitê de Política Monetária (Copom) se viu obrigado a subir a taxa Selic naquele que seria o primeiro ciclo de aperto iniciado e encerrado na gestão Meirelles. Na ocasião, a taxa passou de 16% para 19,75%.
Quatro meses depois de terminado o ciclo, o BC começou o mais longo período de redução da Selic da história no Brasil: foram 18 cortes seguidos em dois anos, entre os meses de setembro de 2005 e 2007. Ao todo, a taxa caiu 8,50 pontos. O segundo ciclo de altas foi meses antes do estouro da crise de 2008.
Em quatro reuniões, o BC aumentou a Selic em 2,50 pontos entre abril e setembro daquele ano para conter a velocidade da economia. Mas com a crise, a sequência foi interrompida e o juro passou a cair entre janeiro e julho de 2009 ate atingir o atual patamar de 8,75%.
No jogo de forças entre aumentos e cortes da Selic no atual governo, a vantagem é da redução da taxa: já foram 32 reuniões com corte e 15 encontros com aumento desde o início de 2003. Defende que é possível conciliar taxa de juros com inflação sob controle.
Nos últimos dias, o presidente do BC preparou o terreno para o aumento do juro em breve. O argumento é que o juro precisa subir para conter a alta de preços e, assim, manter a inflação na meta. Na quinta-feira, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele disse que haverá controvérsia com aqueles que pensam que política monetária correta é aquela unidirecional: Selic boa é Selic cadente. Dois dias antes, defendeu que, às vezes, é preciso subir para, depois, reduzir a Selic. Muitas vezes é importante que se suba a taxa de juro para se manter a inflação na meta e, em consequência, garantir a trajetória de longo prazo de queda dos juros.


