Balanço da Coamo mostra tenacidade do agro diante das adversidades
Números apresentados na Assembleia Geral Ordinária desta quinta (5), em Campo Mourão, mostram que o maior volume de grãos compensou a queda nos preços
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026
Números apresentados na Assembleia Geral Ordinária desta quinta (5), em Campo Mourão, mostram que o maior volume de grãos compensou a queda nos preços
Lúcio Flávio Moura 

Para a Coamo Agroindustrial Cooperativa, 2025 foi quase uma repetição de 2024, o que na avaliação dos seus líderes não deixa de ser uma boa notícia diante de uma realidade global que está longe de parecer uma calmaria.
A receita global de uma das marcas mais respeitadas do agronegócio paranaense permaneceu na casa dos R$ 28 bilhões, com sobra líquida de pouco mais de R$ 2 bilhões. Descontada a dedução dos fundos estatutários, os mais de 32 mil cooperados irão receber R$ 716 milhões, acréscimo de R$ 22 milhões em relação ao ano anterior. Na volumosa safra de números apresentada à plateia no anfiteatro da gigante em Campo Mourão na tarde de quinta-feira (5), destaque para o crescimento de 20% do volume de grãos recebidos, que saltou para 9,6 milhões de toneladas e o avanço de 11,5% do patrimônio líquido da cooperativa, calculado em R$ 13,3 bilhões.
O balanço anual também informa que além da distribuição da sobra, foram devolvidos mais de R$ 26 milhões de capital social aos cooperados com 65 anos ou mais e que completaram 10 anos de permanência na Coamo, R$ 14,5 milhões em ICMS e mais R$ 66,3 milhões do programa Fideliza em créditos para aquisição de insumos agrícolas, máquinas, peças e produtos veterinários. O montante total dos benefícios somou R$823 milhões.
“Houve uma certa frustração no volume de recebimento de soja, um milhão de toneladas a menos do que esperávamos. Contudo, a entrada do milho de segunda safra foi recorde, com cerca de 4 milhões de toneladas, acima do esperado”, explica o presidente executivo Airton Galinari. “Os preços não agradaram os produtores, que já experimentaram remuneração bem melhor. De fato, foram fixados num patamar baixo e a comercialização foi lenta. De toda forma, consideramos que o ano foi positivo porque mesmo diante disso tudo demonstramos solidez. Trabalhamos muito para atingir este resultado. Suamos mais porque tivemos que movimentar mais grãos, mais insumos para manter o faturamento neste patamar”.
Galinari fez questão de lembrar à reportagem que os programas consolidados de fornecimento no mercado externo estão blindando a cooperativa das intempéries da guerra comercial. “Industrializamos metade da nossa soja e os contratos de fornecimento do farelo destinado ao mercado europeu são longos, estáveis, alguns são de 20 anos, com garantia de rastreabilidade e sustentabilidade que fazem diferença em momentos instáveis”.
A Coamo se estruturou ao longo do tempo para enfrentar seus desafios, lembra o presidente executivo. “Fazemos muita comercialização direta, sem traders. Fretamos navios, temos porto, o que reduz nosso custo, inclusive na importação de insumos, porque somos muito relevantes para os nossos fornecedores. Isso não foi construído do dia para a noite. Somos a empresa com a maior capacidade de armazenagem individual do País. Este investimento em infraestrutura nos permite fazer negócios melhores”, explica.
Em 2025, o recebimento da safra ocorreu em 118 unidades e as exportações chegaram a 3,7 milhões de toneladas, gerando um faturamento de US$ 1,46 bilhão. A movimentação de commodities e produtos alimentícios foi feita através dos portos de Paranaguá e São Francisco do Sul (SC).
Estoques excessivos
No informe da cooperativa, o presidente do Conselho de Administração, José Aroldo Gallassini, também comentou o cenário hostil que o agronegócio tem enfrentado nos últimos anos, com o clima afetando a produtividade das lavouras e a queda no preço das commodities, o que tem impactado diretamente na rentabilidade dos cooperados. “A comercialização da soja e do milho foram afetadas pelo excesso de estoques mundiais e retração nas compras pela China. Além disso, a política de taxas sobre importação dos Estados Unidos contribuiu para a instabilidade do mercado”, comenta.
No ano passado, os investimentos da cooperativa mourãoense somaram R$ 1,932 bilhão, com foco na expansão da capacidade produtiva e na modernização da infraestrutura. “Implantamos um novo entreposto em Campina da Lagoa, ampliando a presença da cooperativa e no estado do Mato Grosso do Sul, iniciamos a construção de três Postos de Recebimento de Produtos, em Amambai, de Itahum em Dourados e uma nova unidade em Sidrolândia, reforçando a estratégia de expansão geográfica e de atendimento regional. E também, promovemos melhorias e ampliações nas Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBS), com o objetivo de aumento da capacidade operacional e elevar os padrões de qualidade dos produtos”, informa Galinari.
Investimentos em 2026 na região de Londrina
O presidente executivo Airton Galinari não quis comentar muitos detalhes sobre a aquisição no mês passado dos armazéns de grãos do Fundo Pátria que chegaram a ser arrendados à Belagrícola (empresa que enfrenta processo de recuperação extrajudicial), um negócio de cerca de R$136 milhões e que inclui unidades em Bela Vista do Paraíso, Assaí, Cambé e Sabáudia, que já vão ser utilizadas na safra de verão sob nova administração. “Sempre é possível. A gente não pode antecipar nada, mas é sempre possível”, disse Galinari ao ser perguntado se a região de Londrina pode receber mais investimentos da cooperativa nos próximos anos.


