Balança teve déficit de US$ 8,5 bi em 97
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de janeiro de 1998
Agência Folha Brasília 
O déficit da balança comercial de 97, que mostrou boa melhora das exportações, ficou em US$ 8,520 bilhões, segundo divulgou ontem o governo. Esse valor já leva em conta a revisão das importações da primeira quinzena de dezembro, mas o déficit ainda pode cair com a revisão da segunda quinzena, ainda em andamento.
O resultado ficou abaixo das estimativas do início do ano - até US$ 15 bilhões - e mesmo do patamar de US$ 9 bilhões com o qual o governo trabalhava ultimamente. O volume total das exportações chegou a US$ 52,987 bilhões, e o das importações, US$ 61,507 bilhões. O déficit de dezembro, US$ 783 milhões, ficou bem abaixo do verificado no mesmo período do ano passado, quando chegou a US$ 1,787 bilhão.
No ano, apesar do real se manter sobrevalorizado em relação ao dólar, as exportações registraram uma melhora de 10,97% na comparação com o desempenho de 96. No entanto, as importações cresceram ainda mais - 15,39%. O resultado do ano está dentro das previsões do governo, que a partir de outubro, quando os juros foram elevados e as perspectivas de crescimento econômico foram revistas para baixo, estimava o déficit em US$ 9 bilhões ou menos. Em 96, o déficit ficou em US$ 5,5 bilhões. O crescimento, portanto, foi de 53,4% entre um ano e outro.
Ao longo do ano passado, o governo adotou uma série de medidas que tiveram o efeito de conter as importações, como o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para crédito a pessoas físicas, restrição ao financiamento de compras externas e, mais recentemente, a elevação das taxas de juros.
O governo está otimista com o resultado da balança comercial para este ano. A área econômica trabalha com as previsões das consultorias privadas, que estimam o déficit em 98 em cerca de US$ 5 bilhões. O principal fator para a melhora do desempenho é a desaceleração das importações, já que a previsão de crescimento da economia está entre 1,8% e 2%, contra cerca de 3,5% em 97.
Outra medida que deve forçar a queda do déficit é a redução das importações de petróleo em cerca de US$ 2 bilhões em 98. É que a Petrobrás decidiu fazer parcerias trocando o produto importado pelo petróleo que será futuramente explorado no país. O governo conta também com o crescimento da produção nacional de algodão, o que poderia reduzir as importações em cerca de US$ 300 milhões.


