Balança terá melhor resultado em 1 ano
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terça-feira, 27 de maio de 1997
Agência Estado, de Brasília 
A balança comercial acumulou um déficit de US$ 86,77 milhões até o dia 26 de maio, conforme apurou a Agência Estado ontem. Esse saldo negativo é resultado de exportações de US$ 3,936 bilhões e importações de US$ 4,022 bilhões nesse período. Os números indicam que o comércio exterior poderá ter seu melhor desempenho mensal desde maio do ano passado, quando foi registrado o último superávit comercial mensal (US$ 268 milhões). Entre maio de 1996 e este mês, o menor déficit foi o registrado em agosto, de US$ 291 milhões.
Não se deve fazer disto um grande acontecimento, advertiu o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros. Ele ressaltou que a melhora registrada em maio não permite prever que o comércio exterior terá um bom desempenho nos próximos meses. Além disto, lembrou, as importações no final do mês tendem a ser mais fortes, o que pode fazer o déficit mensal aumentar rapidamente nos próximos dias.
Mas Mendonça de Barros comemorou o que considera uma volta da sazonalidade da balança comercial, ou seja, de um desempenho melhor do comércio externo na época do embarque da safra agrícola, que inclui maio. O País parecia ter deixado de obedecer esta regra após a divulgação de um déficit de US$ 951 milhões em abril passado, outro mês de safra agrícola.
O desempenho de maio tira um pouco da espuma das projeções mais pessimistas do mercado, avaliou Mendonça de Barros. Alguns analistas estavam projetando déficits de US$ 15 bilhões para 1997, após ter sido divulgado o saldo negativo acumulado de US$ 4 bilhões nos quatro primeiros meses do ano.
Os números, no entanto, ainda mostram que as exportações estão crescendo em um ritmo muito menor que as importações. Entre março e maio de 1997, a média diária de exportações cresceu 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a média de importações aumentou 32%. A comparação leva em conta os dados até 25 de maio.
Um crescimento ainda maior das importações está sendo evitado pela queda dos preços internacionais do petróleo e seus derivados, produtos de que o País é comprador. Por esta razão, em abril, pela primeira vez desde julho de 1996, as compras externas de combustíveis e óleos minerais registraram crescimento zero em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Conjuntura As últimas medidas adotadas pelo governo para reduzir o déficit em conta corrente, que estava em R$ 10,7 bilhões nos quatro primeiros meses de 1997, são insuficientes, já que o déficit aumentou 109,8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o resultado do primeiro quadrimestre ficou negativo em US$ 5,1 bilhões. Essa é a avaliação do Departamento Econômico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que divulgou ontem o Informe Conjuntural relativo a maio.


