A balança comercial acumulou um déficit de US$ 86,77 milhões até o dia 26 de maio, conforme apurou a Agência Estado ontem. Esse saldo negativo é resultado de exportações de US$ 3,936 bilhões e importações de US$ 4,022 bilhões nesse período. Os números indicam que o comércio exterior poderá ter seu melhor desempenho mensal desde maio do ano passado, quando foi registrado o último superávit comercial mensal (US$ 268 milhões). Entre maio de 1996 e este mês, o menor déficit foi o registrado em agosto, de US$ 291 milhões.
‘‘Não se deve fazer disto um grande acontecimento’’, advertiu o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros. Ele ressaltou que a melhora registrada em maio não permite prever que o comércio exterior terá um bom desempenho nos próximos meses. Além disto, lembrou, as importações no final do mês tendem a ser mais fortes, o que pode fazer o déficit mensal aumentar rapidamente nos próximos dias.
Mas Mendonça de Barros comemorou o que considera uma volta da sazonalidade da balança comercial, ou seja, de um desempenho melhor do comércio externo na época do embarque da safra agrícola, que inclui maio. O País parecia ter deixado de obedecer esta regra após a divulgação de um déficit de US$ 951 milhões em abril passado, outro mês de safra agrícola.
‘‘O desempenho de maio tira um pouco da espuma das projeções mais pessimistas do mercado’’, avaliou Mendonça de Barros. Alguns analistas estavam projetando déficits de US$ 15 bilhões para 1997, após ter sido divulgado o saldo negativo acumulado de US$ 4 bilhões nos quatro primeiros meses do ano.
Os números, no entanto, ainda mostram que as exportações estão crescendo em um ritmo muito menor que as importações. Entre março e maio de 1997, a média diária de exportações cresceu 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a média de importações aumentou 32%. A comparação leva em conta os dados até 25 de maio.
Um crescimento ainda maior das importações está sendo evitado pela queda dos preços internacionais do petróleo e seus derivados, produtos de que o País é comprador. Por esta razão, em abril, pela primeira vez desde julho de 1996, as compras externas de combustíveis e óleos minerais registraram crescimento zero em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Conjuntura As últimas medidas adotadas pelo governo para reduzir o déficit em conta corrente, que estava em R$ 10,7 bilhões nos quatro primeiros meses de 1997, são insuficientes, já que o déficit aumentou 109,8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o resultado do primeiro quadrimestre ficou negativo em US$ 5,1 bilhões. Essa é a avaliação do Departamento Econômico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que divulgou ontem o Informe Conjuntural relativo a maio.

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